A vereadora e policial civil Ironeide dos Santos denunciou que vem sofrendo supostas ameaças, intimidações e perseguições após fiscalizar máquinas que prestavam serviços para a Prefeitura de Machadinho d’Oeste.
As declarações ocorreram nesta segunda-feira (3), durante a primeira sessão da Câmara Municipal após o recesso parlamentar. Posteriormente, Ironeide concedeu entrevista ao MachadinhoNews e apresentou mais detalhes sobre a situação.
Segundo a parlamentar, nenhum outro vereador participou da fiscalização realizada por ela. O relato não significa que Ironeide estava sem apoio policial durante a operação registrada posteriormente, mas que nenhum dos demais parlamentares esteve presente na ação fiscalizatória.
“Chamei alguns vereadores para estarem comigo, mas, na fiscalização das máquinas, não foram. Então, eu fiquei sozinha”, afirmou na tribuna.
Boletim registra operação realizada em julho
Um boletim de ocorrência da Polícia Civil registra que uma operação aconteceu em 1º de julho de 2026, na zona rural de Machadinho d’Oeste. A ação investigou uma denúncia de possível adulteração dos horímetros de caminhões e máquinas usados por uma empresa terceirizada.
Os horímetros registram o tempo de funcionamento dos equipamentos. Portanto, uma eventual adulteração poderia modificar a quantidade de horas trabalhadas e afetar os valores cobrados pelos serviços.
Durante a operação, a Polícia Militar prestou apoio à Polícia Civil. As equipes interromperam as atividades em duas frentes de trabalho e preservaram os equipamentos até a chegada dos peritos.
O Ministério Público também acompanhou parte dos procedimentos. Depois dos exames, por volta das 16h10, as autoridades liberaram os caminhões e maquinários.
Entretanto, o resultado da perícia ainda não estava disponível no encerramento da ocorrência. Dessa forma, o boletim não confirma que houve fraude ou adulteração. A conclusão depende do laudo pericial e do andamento da investigação.
O documento também não identifica o nome da empresa terceirizada.
Ironeide afirma que não ficará mais calada
Na tribuna, Ironeide relacionou as supostas intimidações à fiscalização das máquinas. Ela declarou que permaneceu calada por algum tempo, mas decidiu tornar pública a situação.
“Eu venho sofrendo vários ataques e intimidações. Falei que não vou mais me calar”, declarou.
A vereadora também afirmou que as situações estariam afetando sua vida pessoal, sua família, sua atuação política e sua carreira na Polícia Civil.
De acordo com Ironeide, algumas pessoas teriam procurado seus superiores na instituição e apresentado acusações que ela classifica como falsas. A parlamentar disse ainda que recebeu ligações e precisou responder a questionamentos relacionados a essas denúncias.
“Estou extremamente perseguida, esgotada psicologicamente e emocionalmente. Não aguento mais essa perseguição em relação à minha política e à minha carreira por fazer o certo”, afirmou.
Ironeide não identificou publicamente, durante as declarações analisadas, quem teria realizado as ameaças, ligações ou acusações. Por isso, os fatos são apresentados como relatos da vereadora e dependem de apuração.
Vereadora solicitou medida protetiva
Em entrevista ao MachadinhoNews, Ironeide informou que começou a adotar as medidas legais cabíveis. Além disso, declarou ter solicitado uma medida protetiva, que aguarda análise do Poder Judiciário.
A parlamentar classificou os fatos relatados como violência política, psicológica e moral. Contudo, caberá às autoridades avaliar as circunstâncias e decidir sobre o pedido apresentado.
Ela também afirmou que pretende observar se as supostas perseguições continuarão após o pronunciamento. Segundo Ironeide, alguns requerimentos apresentados por ela durante o mandato não receberam resposta.
Possibilidade de CPI ainda não está definida
Durante o discurso, Ironeide questionou quais vereadores apoiariam uma eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a situação envolvendo as máquinas.
“Se eu propusesse uma CPI em relação a essas máquinas, quem estaria comigo? Porque eu estou para propor. Quero ver quem realmente estará do lado do povo”, declarou.
Depois da sessão, porém, a vereadora esclareceu ao MachadinhoNews que a CPI ainda não está formalizada. Antes de tomar uma decisão, ela pretende conversar com outros vereadores, advogados e pessoas ligadas ao assunto.
“Isso não é nada concreto ainda em relação à CPI”, ressaltou.
O MachadinhoNews mantém o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Machadinho d’Oeste, da empresa responsável pelos equipamentos e de outras pessoas ou instituições relacionadas às declarações.
Fontes: pronunciamento da vereadora Ironeide dos Santos na Câmara Municipal, entrevista concedida ao MachadinhoNews e boletim de ocorrência da Polícia Civil de Rondônia.
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Fonte: Machadinho News