A campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à reeleição, terminou o primeiro debate entre os candidatos ao governo, realizado neste domingo (8) pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, avaliando positivamente o desempenho do governador nas redes sociais. Fontes da campanha revelaram à Jovem Pan que a equipe fez uma medição em tempo real das reações dos eleitores durante o programa.
Segundo aliados, o primeiro bloco foi mais equilibrado e concorrido, terminando em leve vantagem para o governador, mas Tarcísio teria levado vantagem nos dois blocos seguintes. O monitoramento também identificou uma quantidade considerada expressiva de recortes favoráveis ao governador circulando na internet.
Depois do primeiro bloco, Tarcísio foi orientado a aumentar o tom contra Fernando Haddad (PT). A avaliação era de que ele precisava responder de forma mais incisiva aos ataques do adversário e evitar uma postura que pudesse transmitir a impressão de que estava acuado. Assim, conseguiu ampliar o desempenho nas fases seguintes do debate.
Na leitura da campanha, o governador conseguiu fazer isso sem abandonar a estratégia traçada para a eleição: manter o discurso centrado em entregas e na capacidade de resolver problemas do Estado. Também teria conseguido evitar boa parte das provocações. “Começou morno e em seguida foi muito bem”, resumiu um aliado.
A equipe também considerou acertada a estratégia de Tarcísio de fazer perguntas a Haddad ao longo do debate. Em um dos momentos, por exemplo, questionou como o petista daria continuidade a projetos em andamento, como o centro administrativo, caso fosse eleito. Haddad respondeu a apenas uma parte dessas perguntas — o que a campanha avalia utilizar nas redes sociais nos próximos dias contra o ex-ministro da Fazenda.
Para muitos, o debate ficou exatamente dentro do que era esperado. “Muito técnico e pouco político. Como sempre”, disse outro integrante do entorno do governador, ao avaliar positivamente o evento. O debate, na avaliação de aliados, foi menos tenso do que o esperado. Havia expectativa de que privatizações e Sabesp dominassem a discussão, mas os temas ficaram concentrados na parte final.
Há, porém, quem defenda uma mudança de postura nas próximas etapas. Uma ala da campanha entende que Tarcísio poderia apertar ainda mais Haddad e explorar argumentos contra o adversário que não foram utilizados no primeiro debate. Outra preocupação é justamente o perfil técnico do governador. Alguns aliados avaliam que a característica pode dificultar a conexão com parte do eleitorado, uma vez que é grande conhecedor de números e minúcias de programas de governo. Tarcísio, por outro lado, sustenta internamente que é justamente isso que precisa mostrar: conhecimento sobre os contratos e projetos do Estado e capacidade para apresentar soluções.
A estratégia também apareceu na preparação para o debate. Tarcísio levou cerca de 20 páginas de anotações escritas à mão, resultado dos estudos feitos nos dias anteriores ao encontro.
Aliados esperam estabilidade
Apesar do resultado positivo apontado pelo monitoramento, a campanha não espera grandes mudanças no cenário eleitoral nas próximas semanas. A aposta é manter a vantagem de aproximadamente 16 pontos percentuais sobre Haddad. O principal foco, agora, está em uma parcela específica do eleitorado: aqueles que aprovam a gestão de Tarcísio, mas ainda não dizem que votarão nele.
A leitura dos aliados é que existe espaço para transformar essa aprovação em voto. Internamente, a avaliação é de que é mais provável que uma parcela desses eleitores converta a avaliação positiva do governo em apoio ao governador ao longo da campanha.
Fonte: Jovem Pan