O presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu na noite de terça-feira (18) a implementação planejada de novas tarifas sobre alguns produtos canadenses, após negociações de última hora entre os dois países.
A suspensão temporária das tarifas de 50% impostas por Trump tem duração de três dias, afirmou o líder norte-americano em uma publicação nas redes sociais.
Isso ocorreu “com base no fato de que o Canadá e os EUA — sujeitos à finalização dos documentos — têm um ACORDO!”, escreveu Trump em sua plataforma, a Truth Social.
O anúncio de Trump veio após conversas urgentes com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, na terça-feira, horas antes de as tarifas planejadas entrarem em vigor, logo após a meia-noite.
Sem entrar em detalhes, Trump acrescentou em sua publicação na Truth Social: “O grande oleoduto Keystone XL, há muito tempo enterrado por ‘Sleepy Joe’ Biden, pode ser ressuscitado da sepultura!”.
Trump já havia defendido anteriormente a retomada do polêmico projeto — ao qual ativistas ambientais se opõem e que foi bloqueado durante o mandato de seu antecessor, Joe Biden.
Trump assinou ordens para as tarifas elevadas de 50% no mês passado, com a Casa Branca alegando “tratamento discriminatório” por parte do Canadá em relação a bebidas alcoólicas, automóveis e laticínios dos EUA.
As tarifas abrangem produtos como vinho, tacos de hóquei e cimento.
Carney conversou por telefone com Trump na tarde de terça-feira sobre as negociações comerciais, informou o gabinete do primeiro-ministro.
Os líderes também conversaram na segunda-feira, depois que Carney disse a repórteres que as discussões para evitar as tarifas estavam em um estágio “intenso e delicado“.
As tarifas planejadas por Trump atingem cerca de 5,5% das exportações canadenses para os Estados Unidos, totalizando aproximadamente US$ 20 bilhões, segundo estimativas da Oxford Economics.
Embora isso represente apenas um risco negativo “modesto” para a economia do Canadá, a Oxford Economics afirmou em um relatório recente que as tarifas “afetariam muito mais severamente o setor manufatureiro do centro do Canadá”.
Negociadores canadenses estiveram em Washington para buscar um acordo que evitasse as novas tarifas e também garantisse alívio em relação às tarifas setoriais de Trump — que prejudicaram as indústrias canadenses de automóveis, aço, madeira e alumínio.
Segundo a imprensa canadense, Ottawa ofereceu concessões, como pressionar as províncias para que voltem a colocar bebidas alcoólicas e vinhos dos EUA em suas prateleiras.
Preocupações políticas
“Não é incomum que uma negociação comercial se estenda até o último momento do prazo”, disse à AFP Christopher Padilla, ex-autoridade do Departamento de Comércio dos EUA.
Ele acredita que a administração Trump ameaçou impor novas tarifas para tentar obter concessões antecipadas do Canadá, enquanto os países negociam a renovação do acordo de livre-comércio entre EUA, México e Canadá (USMCA).
Padilla alertou que Trump também tem “um histórico de atacar aliados quando se sente frustrado em outras frentes”, como quando não consegue o que deseja de partes como Irã, China ou Rússia.
A Oxford Economics prevê que os fabricantes mais afetados incluirão aqueles dos setores de cimento, papel, impressão, madeira, vestuário e equipamentos eletrônicos.
Como a Suprema Corte dos EUA derrubou muitas das tarifas globais de Trump no início deste ano, o presidente recorreu a uma disposição legal ainda não testada para as novas taxas direcionadas ao Canadá.
As tarifas dos EUA não se aplicarão à energia, potássio ou mercadorias canadenses que já enfrentam tarifas setoriais específicas, mas devem atingir produtos abrangidos pelo USMCA.
O representante comercial de Trump, Jamieson Greer, afirmou que as tarifas visavam “responsabilizar o Canadá” por suas represálias contra os Estados Unidos.
Províncias retiraram produtos alcoólicos dos EUA de suas prateleiras e “concederam melhor acesso ao mercado para laticínios da União Europeia”, entre outras medidas, disse Greer em julho.
Fonte: Jovem Pan