A Justiça da Bolívia decretou na sexta-feira (21) seis meses de prisão preventiva contra o assessor pessoal do presidente Rodrigo Paz, o argentino Fernando Cerimedo, investigado como principal suspeito de um ataque a tiros contra sua ex-companheira, informou o Ministério Público.
Cerimedo, de 45 anos, é conhecido em vários países da América Latina por assessorar campanhas eleitorais de candidatos de direita, como Javier Milei (Argentina), Jair Bolsonaro (Brasil), Nasry Asfura (Honduras) e o próprio Paz.
Na madrugada de terça-feira (18), ele foi preso após desembarcar no aeroporto da cidade de Santa Cruz (leste), procedente de La Paz.
Na noite de segunda-feira (17), sua ex-companheira, a advogada boliviana Nadia Beller, sobreviveu em Santa Cruz a um atentado em que foi alvo de três tiros de assassinos de aluguel. Beller, que está internada em uma clínica particular, acusou Cerimedo de planejar sua morte.
O Ministério Público abriu uma investigação contra ele por “tentativa de feminicídio”. O juiz “determinou a detenção preventiva pelo prazo de 180 dias” de Cerimedo no presídio de Palmasola, em Santa Cruz, informou a promotora do caso, Yolanda Aguilera, ao final da audiência judicial.
O assessor argentino compareceu à Justiça vestindo um colete à prova de balas, segundo imagens da AFP.
Segundo Aguilera, durante a audiência, Cerimedo declarou “que é inocente e que não tem nada a ver com este assunto”. A defesa do argentino classificou o juiz Wilson Espada como “arbitrário”.
“Não existe certeza de que o senhor Fernando Cerimedo teria contratado (…) estas pessoas. Existem algumas mensagens de chat que não conduzem à verdade histórica dos fatos”Ernesto Giraldes, advogado de Cerimedo, ao jornal El Deber.
O veículo local DTV divulgou supostas perícias da Justiça realizadas no telefone de Cerimedo. Em um chat, uma pessoa teria informado a ele na noite do crime: “Irmão, neste momento atiraram nela”.
Na quinta-feira (20), o Ministério Público de La Paz fez buscas em diversos imóveis relacionados a Cerimedo. Em uma casa, agentes encontraram o equivalente a US$ 43.000 e uma suposta ‘fazenda de bots’, sobre a qual não revelou detalhes. A defesa negou a existência da “fazenda”.
Fonte: Jovem Pan