Os Correios anunciaram que pelo menos 10 edifícios históricos, onde por anos funcionaram sedes e centrais de distribuição, serão leiloados. A iniciativa faz

Os Correios anunciaram que pelo menos 10 edifícios históricos, onde por anos funcionaram sedes e centrais de distribuição, serão leiloados. A iniciativa faz parte de um plano estratégico de reestruturação financeira da estatal, que busca monetizar o seu patrimônio para estancar déficits, otimizar contas e combater a crise orçamentária decorrente de custos operacionais elevados e da forte concorrência no setor logístico e de e-commerce.
Destaques do Leilão
Os lances iniciais variam de R$ 172 mil a R$ 158 milhões, contemplando opções de pagamento à vista, financiamento bancário, uso do FGTS ou parcelamento em até 12 vezes. Abaixo estão os principais lotes da rodada:
24 de setembro, às 14h
- Prédio Comercial (Distrito Federal): Localizado no Setor Comercial Sul (SCS) e integrado à Galeria Nova Ouvidor, o imóvel possui 1.440 m² de área construída em um terreno de 320 m². Distribuído em quatro pavimentos, conta com lojas, sobreloja e infraestrutura comercial em uma região de intenso fluxo diário. Avaliado em R$ 6.131.000,00, pode chegar a R$ 4.991.000,00 na terceira oferta.
- Galpão Comercial (Rio de Janeiro): Situado na Rua Doutor Celestino, no Centro de Niterói, possui 341,53 m² de área construída em terreno de 380,44 m². Avaliado em R$ 2.305.285,71, o espaço pode alcançar o valor mínimo de R$ 1.902.668,88 na terceira praça.
24 de setembro, às 15h
- Prédio Histórico (Rio de Janeiro): Localizado na Rua Primeiro de Março, nº 64, no Centro do Rio de Janeiro, o edifício foi erguido em 1878 durante o Segundo Reinado e abrigou a antiga sede nacional do Correio Geral. Com cinco pavimentos e 9.059,81 m² de área construída, o prédio ocupa um quarteirão na região da Praça XV e é tombado pelo IPHAN. Seu valor de avaliação inicial é de R$ 53.598.124,72, podendo ser adquirido por R$ 47.798.383,94 na terceira oferta.
- Complexo Baumann (São Paulo): Situado na Vila Leopoldina, o complexo possui 22.000 m² de terreno e 20.718 m² de área construída, incluindo um prédio de dois pavimentos com heliponto. É o lote de maior valor da rodada, com avaliação inicial de R$ 158.896.245,44 e preço de oportunidade de R$ 135.122.682,99 na terceira oferta.
- Terreno (Rio Grande do Sul): O lote contempla dois terrenos urbanos desocupados na Rua Ernesto da Fontoura, no bairro São Geraldo, em Porto Alegre, somando 609,43 m². O valor inicial é de R$ 1.439.916,55, podendo chegar a R$ 1.064.286,14 na terceira praça.
O Papel dos Leilões na Reestruturação dos Correios
A alienação desses ativos imobiliários não ocorre por acaso. A venda de prédios, galpões e terrenos subutilizados ou ociosos é uma vertente essencial da estratégia corporativa dos Correios para enfrentar o seu desequilíbrio fiscal.
Manter propriedades desocupadas gera despesas recorrentes e pesadas com tributos, conservação e segurança. Ao repassar esses bens ao setor privado, a estatal consegue atingir um duplo objetivo:
- Redução de custos fixos: Corta gastos de manutenção com estruturas improdutivas.
- Geração de receita extraordinária: Injeta recursos imediatos no caixa da empresa, ajudando a sanear passivos e a financiar a modernização da rede logística frente às pressões de mercado.
Condições de Pagamento
Para viabilizar a comercialização dos lotes, os Correios oferecem quatro modalidades de quitação:
- À Vista: Quitação integral em até 60 dias corridos. Pagamentos feitos em até 30 dias não sofrem reajuste; entre o 31º e o 60º dia, o saldo é atualizado pelo IGP-M.
- Financiamento Bancário: Contratado junto à instituição financeira de escolha do comprador, com prazo de até 60 dias corridos. Caso o crédito não cubra o total ou não seja aprovado a tempo, a diferença deve ser complementada com recursos próprios, sob pena de conversão para pagamento à vista.
- Uso do FGTS: O Fundo de Garantia pode ser empregado como complemento tanto no pagamento à vista quanto no financiamento, desde que respeitadas as normas do fundo.
- Parcelamento em até 12 vezes: Exige entrada mínima de 20% do valor da arrematação. O saldo remanescente é dividido em até 12 parcelas mensais e sucessivas, corrigidas por juros remuneratórios de 115% do CDI (pro rata tempore) calculados no dia da sessão pública. Em caso de atraso, incidem correção pelo IPCA, juros de mora de 1% ao mês e multa de 2%.
(BAND)
Fonte: Tribuna Popular
