*Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: A HISTÓRIA DE RONDÔNIA, AS GERAÇÕES POLÍTICAS E A TIFLOSE…
A história de Rondônia precisa ser incluída no currículo escolar, desde as primeiras séries do ensino fundamental, e também ser incluída na pauta do jornalismo de nosso estado. Isto porque é impressionante como a população de nosso estado ignora a própria história. Esse problema é muito visível e afeta uma parcela gigantesca dos rondonienses, incluindo-se todos os candidatos que disputam a eleição de governador este ano. Uma unidade federativa que tem o histórico de Rondônia não pode jamais ignorar suas origens sociais e políticas, porque isso caracteriza a teoria do filho ingrato. E, neste caso, os filhos são todas as pessoas que habitam o estado, porque o fenômeno da miscigenação também não pode ser negado. O crescimento econômico e geopolítico de Rondônia é fruto do processo migratório e não dá para fingir que isto é mero acaso da busca por melhores condições de vida. Avaliando os fatores da história de Rondônia, é possível perceber, e entender, por que é tão grande o número de pessoas que declaram ser de direita, sem saber absolutamente nada sobre o que significa ser efetivamente de direita. Essa flagrante situação de desinformação também é combustível dos mais inflamáveis para alimentar o ódio e o preconceito…
As pessoas que têm acompanhado os debates políticos para as eleições deste ano certamente já estão muito cansadas de ouvir esse papo furado de esquerda ou direita, como se Rondônia fosse o berço das Ciências Políticas ou Ciências Sociais, coisa que nunca fomos. O fato é que a temática é pauta inseparável das conversas políticas. Sempre que alguém reclama dos graves problemas da saúde pública, da falta de segurança, das deficiências na educação, das fragilidades sociais e outros temas correlatos, aparece algum tolo para sugerir ou afirmar que isso é um problema de esquerda ou direita. Os mais desinformados chegam ao extremo de buscar culpados que nunca tiveram nenhuma culpa. Será que os rondonienses não sabem mesmo a história de nosso estado, ou falam bobagens por lazer? Nos discursos dos políticos, e de muitos de seus adeptos, Rondônia é o estado do caos e nada funciona. Essa conduta deixa claro que a incoerência, a ignorância e o desprezo pelos estudos são componentes que degeneram as gerações. O eleitor que declara ser de direita e ignora os fatos da direita na história de Rondônia é um indivíduo sem memória. Um candidato que afirma que precisa ser eleito, porque a direita precisa governar o estado, é um candidato analfabeto, no que diz respeito à história do estado. E um rondoniense que acredita que existe direita e esquerda no estado é um lunático…
Então, o que existe no universo político de nosso estado? Existem políticos completamente oportunistas, enganadores e hipócritas. Existem muitos eleitores que agem por pura conveniência sazonal e que são envolvidos, por osmose, nesse debate ilusório de esquerda ou direita. E não existem políticos de direita na história de Rondônia? É claro que sim! Podemos citar Joaquim Araújo Lima, Paulo Leal, Aluísio Ferreira, Humberto da Silva Guedes, Jorge Teixeira de Oliveira e vários outros, todos já falecidos, mas com um legado fantástico para a história de Rondônia. E os políticos que ganharam notoriedade no estado, depois de Jorge Teixeira, não são de direita? Com as justas exceções, é evidente que não! Não se pode confundir pessoas verdadeiramente de direita com oportunistas e hipócritas. Esse papo furado de direita ou esquerda no debate político estadual surgiu cerca de 10 ou 12 anos atrás, quando o fanatismo e a preguiça de estudar tomaram conta da cabeça de enorme parcela dos rondonienses. Ninguém nunca ouviu políticos como Piana, Raupp ou Bianco entrarem nessas discussões tolas. E nenhum deles foi filiado a qualquer partido de esquerda algum dia. Aliás, o território de Rondônia, assim como o estado de Rondônia, jamais teve no cargo de governador nenhum político de esquerda. Jamais!!
Assim, tudo que existe na estrutura do estado, e na infraestrutura, que tenha sido ação da máquina estadual, é fruto do trabalho de políticos ligados à direita brasileira. E, nesse sentido, não se trata de nenhum fanático, porque Piana, Raupp, Bianco e Confúcio Moura nunca pregaram o fanatismo, e todos eles possuem legados na história de Rondônia. Todos eles tiveram ações boas e ruins, mas nenhuma delas é fruto do fanatismo político. Aqueles que dizem que o estado é atrasado, que não funciona, que precisa mudar e outras baboseiras, precisam lembrar que tudo que existe hoje no estado, para o bem ou para o mal, foi produzido pelos governos estaduais, nenhum do espectro progressista. No caso da saúde pública, as principais obras de infraestrutura foram construídas por Humberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira. Aliás, o Hospital João Paulo II e o Hospital de Base foram construídos no governo de Jorge Teixeira, que nunca perdeu tempo com discursos tolos, como essa história de esquerda e direita. Atualmente, os candidatos que disputam o governo do estado adotaram como pauta principal dizer que são de esquerda ou direita e dizer que venderam picolé, pão de queijo e outros alimentos. E quem é que tem interesse nisso? A coisa mais natural em Rondônia, alguns anos atrás, era ver garotos vendendo coisas nas ruas. Embora muitos deles não tenham ficado adultos, cresceram e hoje são políticos…
O maior problema que nosso estado vive atualmente é ignorar a própria história e alimentar discursos de ódio, que partem sempre de pessoas que não conhecem a História de Rondônia. Nosso estado não tem nenhuma influência nas decisões do país exatamente pela falta de políticos com boa formação. E essa geração de tolos que hoje diz ser de direita ou esquerda, sem saber ao menos o que significa isso, será a geração responsável para conduzir o estado ao grau máximo de fanatismo, ignorando a própria história, ignorando os problemas e demandas do estado e ignorando a própria existência. Há exceções? Com certeza, mas um estado não pode ser consolidado com exceções. A população de Rondônia, principalmente os políticos, precisa voltar a estudar, com urgência, porque muita gente foi acometida pela tiflose… Tenho dito!!!

*FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular

