
Os radialistas do “pau do fuxico”
Antes da instalação da primeira emissora de rádio, a Difusora do Guaporé bem no início da década de 1950, o Território ganhou em 1949 seu primeiro meio eletrônico, o Serviço de Alto-falantes do Rio Madeira e os locutores eram chamados jornalistas ou radialistas e isso os fazia importantes na pequena Porto Velho de então. Pouco depois o jornalista Humberto Amorim comprou, por 2 mil cruzeiros, o sistema que ele manteria até o fim da década de 1970, a “Voz da Cidade”.
Desde a criação do Território em 1943 até 1977 Rondônia era composto por dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim onde ainda em 1950 os radio técnicos Valdemar Lemos e Amadeu Nyrlander Lopes instalaram o Serviço de Alto-Falantes de Guajará, a “Voz da Cidade” () com as “bocas-de-som” numa caixa d’água localizada ao lado da agência do Banco do Brasil.

Em Cacoal, 1972, o morador Geremias José de Lima, narra a historiadora Lurdes Kemper, instalou um serviço de alto-falantes. Em 1971/2, foi construído o Mercado Modelo moradores de Vila Rondônia (em 1977 Ji-Paraná) e lá bem no alto era torre de madeira e lá em cima duas “bocas de som”, lembra o jornalista Roberto Gutierrez que em 1973 seria locutor do serviço de som no distrito de Ouro Preto.
Na faixa da BR-364 o “rádio do poste” estava instalado, conforme o pesquisador Amadeu Hermes no alto de uma imensa castanheira localizada no terreno do hotel do Cici onde também funcionava uma farmácia, a rodoviária, local de informação sobre o que acontecia na cidade.
1976: em Ariquemes, a imensa escada para acessar `a “torre” do “pau-do-fuxico” no cimo de uma seringueira
Os “pau-do-fuxico” eram “parada obrigatória” para autoridades, inclusive governador e até ministros ou artistas em “rolê” ´para divulgar discos e shows.
Esses serviços de alto-falantes ajudaram a formar muitos futuros profissionais. Em todos os locais as “bocas-de-som”, instaladas no alto de postes ou em árvores, sem que houvesse um emissora de rádio eram a primeira escola profissional para radialistas e técnicos de som.
() Tereza Chamma em “Guajará-Mirim” a Pérola do Mamoré
Fonte: Tribuna Popular
