(Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
A imprensa viu. Viu o poder de Alexandre de Moraes avançar sobre cidadãos comuns, viu o banimento do X no Brasil, viu empresas ligadas a Elon Musk serem punidas. Viu ameaças a delatores — inclusive a menção de prender esposa, pai e filha de 18 anos — e viu investigações abertas sem contornos claros, ampliadas conforme surgiam novos inimigos.
Viu também um inquérito durar sete anos, crescendo e incorporando críticos e desafetos. Viu condenações após os atos ligados ao January 8 attacks in Brazil, histórias individuais diluídas numa narrativa coletiva de golpe.
Viu uma mãe condenada a 11 anos por escrever numa estátua com batom. Viu multas ameaçando cidadãos, contas congeladas, passaportes cancelados, prisões contestadas — e viu a morte de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, que morreu sob custódia aguardando atendimento médico.
Agora, parte dessa mesma imprensa diz estar enojada com histórias de milhões em dinheiro vivo e resorts ligados ao crime que chegam às portas do STF. Descobriu, de repente, o cheiro do escândalo.
Mas a pergunta continua ecoando: onde estava esse nojo quando tudo aquilo acontecia? Porque o país que hoje escandaliza alguns não nasceu de repente — ele foi sendo escrito, linha por linha, com o silêncio e a complacência de quem agora diz estar surpreso.

