Nos bastidores da sabatina de Jorge Messias no Senado, uma coisa ficou cristalina desde o início: essa nunca foi uma novela sem dono. Teve — e tem — protagonista. O nome dele é Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado.
A derrota histórica imposta ao governo Lula não veio por acaso. Veio com recado. E Alcolumbre tratou de deixar isso muito claro, em várias camadas.
A principal: quem manda no Senado é ele, e não há espaço para articulação paralela, negociação de bastidor ou construção fora do seu radar.
Alcolumbre sempre repetiu, inclusive a interlocutores próximos, que nunca viu passar algo no Senado sem a sua articulação direta. E, nesse episódio, mostrou na prática. Mais do que uma derrota de um nome, foi uma demonstração de força institucional e política.
Nos bastidores, também já se desenhava um movimento mais amplo: um “combo” articulado por setores da oposição, aproveitando o fato de Flávio Bolsonaro (PL) ser senador e adversário direto de Lula na eleição de outubro.
A leitura é a de que houve uma convergência de interesses — com Alcolumbre, que preferia outro caminho (com a indicação de Rodrigo Pacheco), e com senadores dispostos a impor uma derrota simbólica ao Planalto.
O resultado escancara não só a força de Alcolumbre, mas também um problema sério de leitura política do governo. Faltou termômetro. Faltou pulso sobre o que estava acontecendo dentro do Senado. Enquanto a temperatura subia, o Planalto parecia fora da sala.
No fim, a crise expõe um eixo de poder muito claro: no Senado, hoje, a temperatura e o ritmo passam por Alcolumbre.
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