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Análise: Lula não reverte piora na avaliação, e preço dos alimentos e dívidas são os principais desafios

5 minutos de leitura

Quaest 2º turno: Flávio Bolsonaro tem 42%, e Lula, 40% A nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), indica que o presidente Lula (PT) não conseguiu reverter a tendência de piora na avaliação do governo, em meio à pressão da inflação de alimentos e ao endividamento das famílias, segundo o diretor da consultoria, Felipe Nunes.

Segundo o levantamento, 52% desaprovam o governo e 43% aprovam, enquanto 5% não souberam ou não responderam. A diferença entre desaprovação e aprovação vem aumentando desde o início do ano.

“O principal motor dessa piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados. Saltou de 59% para 72% o percentual dos que afirmam ter visto aumento de preço dos alimentos no último mês”, afirmou Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Para ele, o resultado reflete um ambiente ainda desfavorável ao governo, em que fatores econômicos e de percepção continuam pesando.

“Além dos preços, tem o endividamento das famílias que continua atingindo um número muito expressivo de brasileiros. De março do ano passado pra cá, saltou de 65% para 72% o percentual de entrevistados que afirmam ter poucas ou muitas dívidas pra pagar”, completou.

Questionados se tem muitas, poucas ou nenhuma dívida, os entrevistados responderam: Muitas dívidas: 29% (eram 32% em maio de 2025); Poucas dívidas: 43% (eram 33%); Não tem dívidas: 28% (eram 34%); Não sabem/Não responderam: 0% (era 1%).

Quaest: você diria que tem muitas, poucas ou nenhuma dívida?

Arte/g1

🔍 O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-09285/2026.

Montagem com fotos dos pré-candidatos à Presidência da República: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) Montagem/g1 Para o diretor da Quaest, a inflação de alimentos também tem papel central na percepção econômica dos eleitores.

“O principal vetor dessa piora parece ser o preço dos alimentos nos mercados”, afirmou.

Segundo a pesquisa, a parcela dos que dizem ter visto aumento nos preços subiu de 59% para 72%, uma variação de 14 ponto percentuais em relação ao resultado de março.

Subiu: 72% (eram 58%, em março); Ficou igual: 18% (eram 24%); Caiu: 8% (eram 16%); Não sabem/não responderam: 2% (era 2%).

Segundo a pesquisa, 50% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 21% apontam melhora. “A percepção da população é que a economia está piorando”, afirmou Nunes.

Neste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano — a primeira queda desde maio de 2024.

Ao mesmo tempo, a inflação segue pressionada: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% em março.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego foi de 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, puxada pelo fim de vagas temporárias. Apesar da alta, o índice é o menor para esse período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012.

LEIA TAMBÉM: O balanço da gestão Haddad em 10 gráficos Impacto limitado das medidas do governo Mesmo com iniciativas econômicas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o Desenrola, programa de renegociação de dívidas de brasileiros inadimplentes, o efeito percebido ainda é restrito.

“A isenção do IR não tem sido capaz de produzir efeitos significativos de melhora na renda”, disse Nunes.

De acordo com o levantamento, 31% dizem ter sido beneficiados, enquanto 66% afirmam que não sentiram efeitos.

Já questionados sobre a avaliação do programa Desenrola Brasil, 46% dizem aprovar a medida (eram 42% em dezembro), 9% desaprovam (eram 6% em dezembro) e 45% não conhecem (era 52%).

Disputa eleitoral mais apertada no 2º turno No cenário eleitoral, os dados indicam perda de vantagem do presidente.

Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, contra 42% de Flávio Bolsonaro (PL).

“O empate no segundo turno também é um reflexo do empate no medo que cada um dos dois lados representa”, disse Nunes.

Apesar disso, os dois pré-candidatos continuam tecnicamente empatados.

Outro ponto observado pelo diretor da Quaest é a imagem dos adversários.

“O principal movimento no último mês é a leve mudança na percepção sobre o grau de moderação de Flávio em relação à sua família”, afirmou.

Segundo ele, a vantagem entre os que o consideravam “mais radical” caiu de 10 para 6 pontos.

Quaest: intenção de voto 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro Arte/g1 Segundo a pesquisa, 43% dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro, enquanto 42% afirmam temer a continuidade do governo Lula.

Quaest sobre medo do eleitor em Lula ficar mais 4 anos ou Bolsonaro voltar à Presidência Arte/g1 Desconhecimento ainda marca outros candidatos Nos demais cenários, Lula segue à frente, mas com sinais de alerta.

“Caiado e Zema continuam muito desconhecidos”, disse Nunes.

Segundo ele, “ambos conseguiram reduzir suas rejeições e ampliar seus potenciais de voto no último mês”.

Quaest: intenção de voto no 2º turno entre Lula e Ronaldo Caiado Arte/g1 Quaest: intenção de voto para o 2º turno entre Lula e Romeu Zema Arte/g1


Fonte:

g1 > Política