Medida contra o senador foi solicitada poucos minutos depois da confirmação do resultado eleitoral; Simón Levy afirma que uma operação americana de proteção estaria em andamento.
O intervalo entre o resultado das urnas e a ofensiva contra Flávio Bolsonaro levantou uma pergunta inevitável: tratava-se realmente de uma medida cautelar urgente ou de uma reação política contra o principal adversário de Lula?
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal solicitou a apreensão dos passaportes do senador apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar matematicamente sua derrota no segundo turno. O pedido teria sido apresentado às 21h16 de domingo (25), enquanto o resultado foi confirmado às 21h09.
Ainda naquela noite, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a medida. A decisão, que tramita sob segredo de Justiça, determinou a entrega dos passaportes, proibiu Flávio de deixar o Brasil e impediu o contato dele com o advogado Willer Tomaz.
A rapidez da movimentação, ocorrida imediatamente após a eleição, alimentou entre aliados do senador a percepção de perseguição e vingança política. A reportagem também aponta que a medida teria sido autorizada sem manifestação prévia da Procuradoria-Geral da República.
Flávio questionou publicamente o momento da decisão.
“Se eu tivesse ganhado as eleições, iria acontecer a mesma coisa?”, perguntou o senador, ao relatar que foi intimado por agentes da Polícia Federal quando deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
PF cita investigação financeira
A Polícia Federal sustenta que a restrição está relacionada a uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e Willer Tomaz.
Entre os elementos apresentados está uma suposta ligação do senador com a Alcazar Holdings, empresa sediada em Portugal e vinculada ao advogado. A investigação ainda está em andamento e não representa condenação contra Flávio Bolsonaro.
Após o prazo concedido para a entrega dos documentos, a PF cancelou os passaportes brasileiros do senador. Até o momento, porém, não existe mandado de prisão contra ele e, juridicamente, Flávio não é considerado foragido.
Também não há registro oficial de sua saída do Brasil nos sistemas migratórios brasileiros. Autoridades argentinas informaram não ter identificado a entrada do senador no país, apesar das notícias de que ele teria cruzado a fronteira para embarcar em um voo particular.
Aliado de Trump fala em operação americana
Em meio às dúvidas sobre o paradeiro de Flávio, o empresário mexicano Simón Levy, que se apresenta como interlocutor de Donald Trump, afirmou que o senador já teria chegado aos Estados Unidos.
Levy declarou que uma operação americana estaria em andamento para garantir a segurança de Flávio e apontou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, como o responsável pela articulação.
“O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio”, afirmou.
Até o momento, o governo americano não confirmou oficialmente a existência da operação nem a participação de Rubio. Segundo aliados, Flávio poderá solicitar asilo político ao governo Trump, alegando sofrer perseguição no Brasil.
Uma sequência que exige explicações
A Polícia Federal tem o dever de investigar qualquer suspeita com imparcialidade. Da mesma forma, nenhuma autoridade pública pode estar acima da lei. Mas o momento e a velocidade das medidas adotadas contra Flávio Bolsonaro exigem transparência.
Quando uma restrição dessa gravidade é solicitada poucos minutos depois da derrota eleitoral do principal adversário do presidente reeleito, a aparência de neutralidade institucional fica profundamente abalada.
Justiça não pode ter lado, calendário eleitoral nem aparência de revanche. Se havia elementos concretos para impedir a saída do senador, eles precisam ser apresentados com clareza. Caso contrário, permanecerá a impressão de que a eleição terminou nas urnas, mas a perseguição começou imediatamente depois delas.
Fontes: Gazeta do Povo, Agência Brasil, Times Brasil/CNBC e Metrópoles.