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Após paralisação na USP, 16 cursos aderem greve na Unicamp

Embalados pela greve iniciada na USP no dia 14 de abril, estudantes da Universidade de Campinas (Unicamp) também decidiram parar desde o final da semana passada. Servidores engrossam o movimento a partir desta segunda-feira (11).
A Reitoria da Unicamp informa que “mantém diálogo contínuo com as entidades estudantis e direções das unidades do campus de Limeira e de Campinas reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais”.
A adesão ocorre de forma gradual. Segundo os alunos, ao menos 16 cursos já aprovaram paralisação, entre eles, Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Artes Cênicas e Engenharia de Alimentos. A Unicamp tem 69 cursos.
Formações tradicionais, como Ciências Humanas (CACH), Medicina (CAAL), Pedagogia (CAPMF) e Economia (Caeco), ainda não realizaram suas respectivas assembleias.
Questionada sobre o número de cursos paralisados, a reitoria informou que a “universidade funciona normalmente no dia de hoje [segunda-feira, 11]”.
A decisão pelo indicativo de greve geral foi aprovada em assembleia na quinta-feira, 7, que reuniu mais de mil estudantes, segundo o movimento estudantil. Agora, cada curso vem realizando assembleias próprias.
Entre as principais reivindicações estão:

construção da moradia estudantil no campus de Limeira;
melhorias nos restaurantes universitários e no transporte interno;
fortalecimento de políticas de combate à violência sexual e étnico-racial e de apoio psicológico;
os estudantes reclamam de falta de professores, déficit de funcionários técnicos.

“Temos demandas específicas que vão culminar na demanda por maior orçamento para educação”, afirma a estudante de Economia Laura Khaddour, representante discente no Conselho Universitário da Unicamp.
A Reitoria afirma que “estudos contínuos seguem em pauta para viabilizar melhorias no âmbito das possibilidades orçamentárias”
Governador critica greve na USP
Na semana passada, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou a paralisação dos estudantes da USP, iniciada no dia 14 de abril.
“Se eu fosse estudante, eu estaria estudando o máximo que eu pudesse, aproveitando com unhas e dentes as oportunidades”, disse. “Para mim, não entra na minha cabeça a greve dos estudantes. Estudante, na minha opinião, tem que estudar.”
O governador afirmou ainda que o movimento tem conotação política. “A greve tem um cunho político, isso está bastante claro. Eu lamento a perda de oportunidade. A gente está falando de uma universidade de ponta, que tem um recurso garantido do Estado.”
Autarquização da área de saúde da Unicamp
Outro ponto central da mobilização é a oposição ao projeto de autarquização da área da saúde da universidade. A proposta, aprovada pelo Conselho Universitário da Unicamp em dezembro, sugere um novo modelo de gestão para a área da saúde, que passaria a ser vinculada à Secretaria Estadual de Saúde para fins orçamentários.
Por outro lado, ela permaneceria ligada à Unicamp no campo do ensino, do treinamento de estudantes de cursos de graduação e pós-graduação e do aperfeiçoamento de médicos.
Estudantes e trabalhadores temem perda de controle sobre os serviços, precarização das condições de trabalho e impactos no atendimento hospitalar. Temem também a privatização.
No momento da aprovação, o reitor Paulo Cesar Montagner disse que a proposta de autarquização é essencial para o futuro da Universidade. Hoje, a Unicamp é responsável pelo custeio da área da saúde. Neste ano de 2025, os custos com o sistema deverão atingir aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
“Da forma como está, não temos mais como crescer”, afirma Montagner. “Este é um projeto de décadas. Um projeto de Estado. O que queremos é construir o futuro da Universidade”.
Ato unificado em São Paulo
A mobilização dos alunos extrapola os campi do interior de São Paulo. Estudantes da USP, Unicamp e Unesp convocaram um ato unificado nesta segunda, em frente à sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), no centro da capital paulista. Professores e funcionários das três instituições também devem participar.
O protesto ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, entidade que reúne sindicatos e associações de docentes, funcionários e estudantes das universidades estaduais paulistas.
O reajuste oferecido foi de 3,6%, percentual estimado para a inflação calculada pelo IPC-Fipe de maio/2025 a abril/2026, ainda não fechado. O Fórum insistiu na necessidade de uma política de recuperação salarial, tendo como meta a recomposição do poder de compra dos salários em maio/2012. A reivindicação estima esse índice em 15,97%.
No centro das disputas, está a discussão sobre o futuro do financiamento das universidades. Hoje, USP, Unicamp e Unesp recebem 9,57% da arrecadação do ICMS. Com a reforma tributária, a substituição do imposto pelo IBS até 2033 deve reduzir essa fonte de receita, o que aumenta a incerteza.


Fonte: Jovem Pan

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