O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, indicou que Washington precisa “repensar profundamente” a aplicação de sua política migratória durante a Copa do Mundo de futebol. A fala acontece em um momento de tensão crescente, com participantes oficiais da competição barrados dos Estados Unidos.
“Espero sinceramente que repensem profundamente sobre a forma como as medidas de controle da imigração afetam os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos”, declarou aos jornalistas.
Árbitro impedido
Na segunda-feira (8), o premiado árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi afastado da Copa do Mundo de 2026, após ter sua entrada nos Estados Unidos negada, mesmo com o árbitro possuindo um visto válido para o país. Artan atua na liga somali e foi eleito melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025. O juiz deveria ser o primeiro da Somália a atuar em um mundial da FIFA.
O motivo de ter negado a entrada não foi esclarecido pela polícia de fronteira, que citou somente questões ligadas a seus antecedentes. “Ao término da inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo, foi considerado inadmissível devido a questões relacionadas à verificação de seus antecedentes e teve sua entrada no território negada”, acrescentou a agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
A Fifa destacou que não tinha capacidade para influenciar a decisão, que, conforme a Federação, é de competência exclusiva dos Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial, ao lado do México e do Canadá. “A Fifa não intervém nos processos de imigração do país anfitrião, incluindo a concessão de vistos, e as autoridades a informaram de que a situação de Artan não mudará por enquanto”, afirmou o porta-voz.
A Somália é um dos vários países cujos cidadãos estão sujeitos a restrições de viagem aos Estados Unidos impostas pelo governo do presidente Donald Trump. No fim de novembro, o presidente americano classificou o país como um “país podre” e manifestou sua intenção de encerrar o status especial que protege cidadãos somalis da deportação.
Guerra na Copa
Outro participante que teve sua participação na Copa do Mundo afetada pela política norte-americana foi o Irã, atualmente em guerra com os Estados Unidos. Os jogadores da seleção iraniana precisaram viajar para Ancara, na Turquia, para tirar o visto canadense dos Estados Unidos e poder entrar no país e disputar a competição.
Todas as partidas da fase de grupos do Irã são nos EUA; os dois primeiros jogos serão em Los Angeles e o terceiro em Seattle. Os iranianos se classificaram antecipadamente para a Copa do Mundo, mas a participação da seleção do país ficou incerta por bastante tempo devido ao conflito do país com Estados Unidos e Israel.
As dúvidas sobre a concessão dos vistos levaram a seleção iraniana a mudar sua base de treinamento, inicialmente prevista para Tucson (Arizona), para Tijuana, no México, apesar de disputar a fase de grupos nos Estados Unidos.
A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) também acusou os Estados Unidos de revogarem a cota de ingressos destinada aos seus torcedores para a Copa do Mundo, na terça-feira (9). “A menos de três dias do início, os Estados Unidos impedem mais uma vez que torcedores iranianos assistam às partidas da fase de grupos da seleção”, afirmou a FFIRI.
O comunicado fala sobre o regulamento da FIFA, que indica que 8% dos ingressos de cada partida disputada vão às federações dos países em jogo, que podem ser vendidos ou distribuídos aos torcedores. “No entanto, de maneira inesperada, a cota garantida à Federação de Futebol do Irã foi retirada”, destaca a entidade, que se declara “incapaz de fornecer qualquer ingresso aos torcedores” iranianos.
Revistas rigorosas
Um vídeo que circula nas redes sociais na terça-feira (9) mostra a Seleção do Senegal em uma rigorosa revista de segurança em sua viagem para os Estados Unidos para participar da Copa do Mundo. O procedimento aconteceu na própria pista do avião, com os policiais utilizando detectores de metal em uma inspeção da cabeça aos pés dos jogadores.
The Senegalese delegation gets this treatment on arrival in the USA. Full tarmac searches, shoes off, bags turned inside out like criminals. This is straight up humiliation and a disgrace. They’d never put white boys through the same.pic.twitter.com/KULjwTsCQI— World Cup 2026 Daily (@TotalFootball) June 8, 2026
Além da seleção senegalesa, a delegação do Uzbequistão também teria sido recebida com cães farejadores e passado por uma revista com o mesmo rigor ao chegar aos EUA para disputar um amistoso contra a Holanda.
*com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan