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Política

AS (muitas) VEZES QUE NÃO MORREMOS (I) – Histórias de quem têm o que contar

2 minutos de leitura

Histórias de quem têm o que contar

Normalmente jornalistas não gostam de contar algo sobre suas vidas, grupo que em quase sua totalidade se encontram os membros da “Confraria 30 mais”, de jornalismo com, no mínimo, 30 anos de Atividade Esse desapego em narrar o que aconteceu/acontece conosco preocupa ainda mais até porque pouco se fala das dificuldades de fazer jornalismo, ou fatos mais recentes, para mostrar os caminhos da reportagem e as dificuldades porque muitas vezes o meio de encaminhar um texto era um PS da Teleron, pior ainda para nós, correspondentes de jornais do “sul maravilha” que tínhamos às vezes ditando palavra a palavra, então o jeito era dar “dar nosso jeito”.

Há alguns dias estávamos eu, o Marco Anconi, o Montezuma Cruz e o Carlinhos Araújo, todos veteranos profissionais da imprensa, conversando sobre as vezes em que estivemos expostos a acidentes graves ou a situações pelo menos risíveis. O Monte sugeriu o título: AS VEZES QUE NÃO MORREMOS. Eu adendo: AS (muitas) VEZES QUE NÃO MORREMOS.

São essas narrativas que pretendo contar nesta série.

GAROTO QUERIA VER O AVIÃO CAIR

Com inveja do irmão , o garoto torcia que nosso “mono” caísse

Um dos meus parceiros de viagem pelo hinterland, foi o repórter fotográfico Jeferson Lima em matérias políticas ou outra pauta. Essa aí aconteceu em Espigão do Oeste – cidade erigida em grande parte por colonos pomeranos vindos do Estado de Espírito Santo.

AS (muitas) VEZES QUE NÃO MORREMOS (I) – Histórias de quem têm o que contarOs Pomeranos mantem as tradições em Espigão, dos primeiros mordores da cidade

1998: Campanha a governador do candidato José Bianco. Saímos cedo de Cerejeiras a Espigão do Oeste, num monomotor, previsão 1 hora de viagem. Tempo para lá de ruim, o pequeno avião jogava muito, mas sobrevoamos Espigão. Para o pouso o piloto avisou as duas opções :a) passar por debaixo de um cabo de alta tensão; b) passar por cima aterrissando em cima de um formigueiro. Fomos na opção a. Desci do avião meio grogue e apareceu o garoto.
Ele falou balançando os braços como se fosse um avião balançando:
ELE- Poxa, pensei que o avião ia cair.
EU – Pois é, eu estava com muito medo…
ELE – Pois eu não. Eu queria que o avião tivesse caído.
EU – Por quê? Queria que nós morrêssemos?
O GAROTO – Não, mas é que meu irmão já viu um avião cair e eu não….

Fonte: Tribuna Popular