Um ataque de drone iraniano contra um terminal de passageiros no aeroporto internacional do Kuwait matou uma pessoa e deixou mais 63 feridas nesta quarta-feira (3), informaram autoridades kuwaitianas, em momento em que o conflito entre Teerã e as forças dos Estados Unidos no Golfo se intensificou.
Os ataques marcaram um dos testes mais severos até agora do frágil cessar-fogo, válido desde 8 de abril, que vinha se mantendo apesar de ataques esporádicos. A pausa foi instaurada após mais de um mês de guerra desencadeada por ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
As forças armadas do Kuwait classificaram o ataque ao aeroporto como um ato de “criminosa agressão iraniana”, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã acusou as forças dos EUA de provocarem os ataques ao visarem um navio-tanque e uma torre de comunicações na Ilha de Qeshm, no país.
O Ministério das Relações Exteriores do Kuwait condenou o ataque, “que mais uma vez teve como alvo infraestruturas vitais e civis… matando uma pessoa e ferindo outras”. Uma fonte do aeroporto informou à AFP que a vítima fatal era um cidadão indiano que estava no local.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia condenou o ataque iraniano, confirmando a morte de um cidadão de seu país. “Condenamos o ataque ao Aeroporto Internacional do Kuwait hoje, no qual um cidadão indiano morreu e vários de nossos cidadãos ficaram feridos“, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Índia em um comunicado. “Pedimos novamente às partes que cessem tais ataques“, acrescentou.
O porta-voz do Ministério da Saúde, Abdullah al-Sanad, disse que 25 ambulâncias foram enviadas e que 63 pessoas foram tratadas por ferimentos “incluindo ferimentos na cabeça, hemorragias cerebrais, amputações e lesões resultantes de explosões”.
O Kuwait suspendeu o tráfego aéreo após o ataque e desviou os aviões que chegavam para outros destinos, mas posteriormente retomou os voos da Kuwait Airways. O aeroporto internacional foi alvo de vários ataques durante a guerra e havia retomado totalmente as operações apenas na segunda-feira (1º).
‘Não é normal’
Hassan Sheikh, um residente paquistanês de 40 anos no Kuwait que vive perto do aeroporto, disse ter ouvido explosões durante toda a noite. “Pela primeira vez, meus filhos sentiram a gravidade da situação e que isso não era normal“, disse ele.
Com o Bahrein também se queixando de ataques noturnos de drones vindos do Irã, os Emirados Árabes Unidos agiram para mobilizar seus vizinhos do Golfo em oposição a Teerã.
“Diante da repetida agressão do Irã contra… o Kuwait e o Bahrein, uma postura firme, unificada e coesa do Golfo é imperativa”, publicou o conselheiro presidencial dos EAU, Anwar Gargash, nas redes sociais. “Esta agressão não visa apenas um país, visa a todos nós.”
A Guarda Revolucionária do Irã não assumiu a autoria do ataque ao aeroporto civil, mas acusou o Kuwait e o Bahrein de viabilizarem os ataques dos EUA a partir de seus territórios e declarou que o alvo havia sido um local diferente, “a Base Aérea Ali Al Salem no Kuwait, que abriga helicópteros”.
O conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezaei, disse: “Cada tiro disparado e cada ataque serão respondidos com um dilúvio de mísseis e drones… o agressor será punido rapidamente“.
‘Partiu-se ao meio’
Mais cedo, as Forças Armadas dos EUA disseram ter “derrotado com sucesso” uma série de ataques de mísseis e drones iranianos contra o Kuwait e o Bahrein, e confirmaram que realizaram ataques na Ilha de Qeshm, no Irã.
“Dois mísseis iranianos disparados contra o Kuwait caíram antes do alvo ou se partiram ao meio no caminho, e três mísseis lançados contra o Bahrein foram imediatamente interceptados pelas forças de defesa aérea dos EUA e do Bahrein”, informou o Centcom (Comando Central dos EUA).
As autoridades do Bahrein disseram ter interceptado três mísseis iranianos e vários drones.
A escalada ocorreu após autoridades dos EUA, de Israel e do Líbano se reunirem em Washington para negociações diretas sobre o fim do conflito paralelo entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o grupo militante era o único impedimento para um acordo.
A embaixada libanesa em Washington afirmou que o acordo inicialmente cobriria apenas os ataques israelenses a Beirute e os ataques do Hezbollah ao território israelense, antes de expandir seu escopo.
Israel tem combatido o Hezbollah desde que o grupo arrastou o Líbano para a guerra ampliada no Oriente Médio ao atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã.
Nenhum dos lados aceitou publicamente o acordo, e o alto funcionário do Hezbollah, Mahmud Qomati, disse à AFP em um comunicado por escrito que o grupo “não aceitará um cessar-fogo parcial”.
Interceptação
Rubio disse que Washington queria que as negociações permanecessem independentes daquelas com o Irã para encerrar a guerra mais ampla no Oriente Médio.
No entanto, o Irã tem vinculado repetidamente os dois conflitos e disse na segunda-feira que a campanha em expansão de Israel no Líbano arriscava encerrar o cessar-fogo entre os EUA e o Irã, que estava em vigor desde 8 de abril.
Nos últimos dias, as tropas israelenses realizaram sua ofensiva terrestre mais profunda no Líbano em duas décadas.
O Líbano informou que um ataque israelense atingiu um alvo perto de Beirute na quarta-feira, enquanto uma fonte médica disse à AFP que seis pessoas foram mortas enquanto Israel bombardeava o sul do país.
Enquanto isso, o exército israelense disse ter interceptado uma “aeronave hostil” que cruzou o território israelense a partir do Líbano, a primeira infiltração desse tipo relatada pelos militares em mais de 24 horas.
Autoridades israelenses alertaram que os militares atacarão os subúrbios ao sul de Beirute se o Hezbollah lançar projéteis contra comunidades israelenses no norte, uma postura que, segundo eles, conta com o apoio de Washington.
O Hezbollah não assumiu imediatamente a autoria de nenhum ataque ao norte de Israel.
*com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan