De maneira surpreendente, o governo Lula sofreu uma derrota histórica, ao ver seu indicado, Jorge Messias, ser rejeitado pelo plenário do Senado. É histórica, porque isso não acontecia desde o século XIX e pelo placar elástico pela sua rejeição.
O episódio mostra que o czar David Alcolumbre nunca engoliu a não indicação do seu companheiro Rodrigo Pacheco. Provavelmente, a dupla operou forte no mercado futuro das traições. E não foi difícil.
Primeiro, porque encontrou uma oposição louca de vontade de emplacar uma derrota ao governo Lula e ao próprio STF. A rejeição de Messias não deixou de ser também uma demonstração de força ao Supremo com o seguinte recado: escolhemos quem a gente quer, e podemos tirar qualquer um que desejamos.
A crise entre os Poderes atingiu seu ápice recentemente quando o ministro Gilmar Medes solicitou à PGR uma investigação contra o senador Alessandro Vieira por ter pedido indiciamento de juízes da Suprema Corte na CPI do Crime Organizado.
Mas Alcolumbre não foi apenas bem recebido pela oposição. Há indícios que o senador Jaques Wagner operou contra Messias.
É claro que cada um agiu de acordo com seus próprios interesses para rejeitar Messias. Embora as motivações fossem diferentes, houve uma confluência de objetivo que tem mais a ver com recados ao governo e ao STF, e menos com Messias.
Aliás, dadas as circunstâncias, até Rui Barbosa seria rejeitado ontem.
Fonte: Jovem Pan