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Atitude de Milei é ‘lamentável’ e um desserviço à Argentina, diz Alckmin

Vice-presidente Geraldo Alckmin participa do Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo
Isabela Ortiz/g1
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou nesta terça-feira (28) como “lamentáveis” as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei contra o governo brasileiro e afirmou que a postura não compromete o avanço da integração econômica do Mercosul.
Segundo ele, o bloco vive um momento favorável, com acordos comerciais já concluídos com Singapura, os países da EFTA e a União Europeia, além do interesse da Coreia do Sul em avançar nas negociações de um acordo comercial com o grupo.
“É lamentável. Um presidente de um país vizinho e amigo presta um desserviço ao seu próprio país ao se envolver de maneira absolutamente grosseira nos assuntos internos do Brasil”.
A fala aconteceu ao final do evento Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo. O objetivo foi tratar de novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos com o país asiático.
“Aproximar-nos não é uma opção conveniente, é uma necessidade estratégica”, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
“Esse pode ser o momento em que nossos dois países, usando a metáfora de nossa cooperação espacial, podem decolar e mirar objetivos mais altos”, afirmou Alckmin.
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A iniciativa, organizada pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia (FKI), integra a agenda da visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e busca aprofundar a parceria econômica entre os dois países.
Em 2025, o comércio bilateral movimentou US$ 10,8 bilhões, enquanto os investimentos sul-coreanos no Brasil somam US$ 8,9 bilhões. “Nós podemos dar a meta de quase dobrar isso”, disse Alckmin.
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O evento também teve presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de representantes dos dois governos e empresários dos setores automotivo, de tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada.
Na abertura do encontro, Alckmin destacou que os sete memorandos assinados na segunda-feira (27), em Brasília, nas áreas de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes representam uma oportunidade para ampliar a cooperação entre os dois países.
O vice-presidente também mencionou a visita sanitária exigida pela Coreia do Sul a produtores de carne no Brasil. “O Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com alta sustentabilidade e rigor sanitário. Estamos muito otimistas com a visita sanitária agora em agosto”, disse.
A Coreia no Brasil
Sobre as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul, Alckmin disse que as duas partes pretendem intensificar o diálogo e informou que o Brasil iniciou consultas internas sobre o tema.
O vice-presidente defendeu ainda o fortalecimento da cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos. Segundo ele, o Brasil quer deixar de apenas exportar matérias-primas e avançar para uma parceria baseada em industrialização, transferência de tecnologia e engenharia compartilhada.
“Não queremos apenas exportar minério bruto. Queremos processar, industrializar e investir juntos ao longo da cadeia”, afirmou.
Alckmin também destacou o potencial do Brasil para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados, citando como vantagens competitivas a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória.
Na área aeroespacial, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
40% do café consumido na Coreia é brasileiro
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o cenário internacional exige previsibilidade para o avanço das relações comerciais e defendeu o fortalecimento da parceria entre Brasil e Coreia do Sul.
“Vemos, cada vez mais, um cenário de fragmentação. O que nós precisamos é estabilidade, confiança e crescimento”, disse.
A Coreia importa cerca de US$ 600 bilhões por ano, mas o Brasil responde por aproximadamente 1% desse mercado, o que, segundo Müller, demonstra o potencial de crescimento da participação brasileira.
Ele destacou que há espaço para ampliar a cooperação em diversos setores, como proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, minerais críticos, indústrias farmacêutica e química e tecnologia.
Ao comentar o comércio de café, Müller afirmou que cerca de 40% do café consumido na Coreia do Sul é do tipo especial e produzido no Brasil. Ele ressaltou que o país asiático é um dos maiores consumidores per capita da bebida.
“O governo coreano pode continuar contando com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações do Brasil nessa relação tão importante junto às empresas brasileiras e ao setor privado”, concluiu.
Elias Rosa projeta expansão da IA com a Coreia do Sul
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC
Júlio César Silva/MDIC
O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, citou a atuação de empresas sul-coreanas instaladas no Brasil, como Samsung, LG e Posco, e destacou os investimentos e a geração de empregos no país. Também mencionou as parcerias já existentes nos setores de petróleo, defesa e construção naval, além da cooperação entre a Embraer e a Korea Aerospace Industries (KAI).
Ao abordar a área de inovação, Elias Rosa afirmou que inteligência artificial e soberania digital estão entre as prioridades do governo brasileiro e disse que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial tem objetivos alinhados aos interesses da Coreia do Sul.
Ele também colocou o ministério à disposição para aprofundar o diálogo sobre propriedade intelectual, tema que, segundo o ministro, foi apresentado como uma preocupação da delegação sul-coreana.
Durante o discurso, Elias Rosa também ressaltou oportunidades de cooperação em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio. Citou iniciativas de empresas do setor de proteína animal e destacou que o etanol, o bioetanol e o biogás combinam competitividade econômica e redução das emissões de gases de efeito estufa.
“O etanol, o bioetanol e o biogás têm competitividade porque oferecem sustentabilidade e menor emissão de gases de efeito estufa, além de um custo mais baixo quando associados aos combustíveis fósseis”, afirmou.
O ministro também apontou potencial para ampliar a integração no setor de cosméticos. Segundo ele, a indústria brasileira ainda exporta pouco para a Coreia do Sul, apesar da relevância do mercado do país, o que abre espaço para uma parceria maior entre os dois países.
Parceria não é retaliação contra os EUA
Questionado se a relação comercial com a Coreia do Sul foi influenciada pelas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Alckmin respondeu que o tema não foi discutido durante a reunião.
“Não falaram sobre o Trump. Não esteve na pauta. A pauta foi apenas Brasil e Coreia do Sul”, afirmou.
Alckmin destacou que o Mercosul vive um momento positivo e lembrou a conclusão de acordos comerciais com Singapura, os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e a União Europeia. Também afirmou que a Coreia do Sul mantém interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial com o bloco.
Alckmin acrescentou que o Brasil continuará negociando para reverter as tarifas consideradas injustas impostas pelos Estados Unidos e ressaltou que o país “não saiu da mesa de negociação”.
A estratégia do governo está baseada em três pilares:
apoiar as empresas afetadas;
diversificar mercados; e
manter as negociações diplomáticas.
Ao comentar a possibilidade de adoção da chamada reciprocidade comercial, Alckmin afirmou que a medida não deve ser interpretada como retaliação. “Reciprocidade é uma possibilidade. Não é retaliação”, disse.
“O Brasil defende o multilateralismo e regras para o comércio internacional. Abrir mercados beneficia a sociedade com produtos melhores, mais baratos e maior competitividade”, concluiu.


Fonte:

g1 > Política

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