Diante de especulações de que seu nome, depois da derrota de Jorge Messias, poderia ser indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) refutou essa possibilidade novamente.
Em conversa com o blog nesta quinta-feira (30), Rodrigo Pacheco — nome preferido de Davi Alcolumbre para o STF — afastou essa possibilidade.
"É bom deixar claro que não há a mínima possibilidade de isso acontecer. Essa página está realmente virada para mim e eu afirmei isso desde o primeiro momento. Esse tempo passou, se algum dia existiu. Melhor nem especular sobre isso", afirmou.
O nome de Rodrigo Pacheco voltou a circular como uma saída para Lula emplacar um nome para a vaga no lugar de Luís Roberto Barroso.
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Nesta quarta (29), depois da derrota do governo, senadores governistas e da oposição diziam que se Lula tivesse enviado o nome de Pacheco o resultado seria totalmente diferente.
Senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG)
Edilson Rodrigues/Agência Senado
Congresso analisa hoje veto de Lula ao PL da dosimetria
O Congresso Nacional analisa, nesta quinta-feira (30), se mantém o veto integral do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria.
➡️ A chamada dosimetria define como o juiz calcula o tamanho da pena com base na gravidade do crime, nos antecedentes e nas circunstâncias do caso.
Na prática, o projeto de lei permite a redução de penas de condenados por atos golpistas, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A proposta também pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado pela tentativa de golpe de Estado em 2022.
🔎Na sessão conjunta do Congresso, deputados e senadores votarão separadamente. Para derrubar o veto, são necessários ao menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 votos no Senado.
Veja aqui os principais pontos do projeto.
Veto do presidente
Em 8 de janeiro deste ano, três anos após os ataques às sedes dos Três Poderes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente a proposta.
Lula mostra assinatura de veto integral ao PL da dosimetria, que reduz penas de condenados por atos golpistas
Jorge Silva/Reuters
O governo afirmou que o projeto é inconstitucional e contraria o interesse público, pois a redução das penas poderia estimular crimes contra a ordem democrática e representar um retrocesso no processo de redemocratização do país.
"Além disso, a facilitação de condutas que ameaçam o Estado Democrático de Direito representaria não apenas a impunidade baseada em interesses casuísticos, mas também a ameaça ao ordenamento jurídico e a todo o sistema de garantias fundamentais alicerçado na Constituição ao afrontar os princípios constitucionais da proporcionalidade, da isonomia e da impessoalidade, incorrendo em uma proteção deficiente de bens jurídicos fundamentais", afirmou o governo na mensagem ao Congresso.
Avaliação do veto no Congresso
A Constituição autoriza o presidente da República a vetar, total ou parcialmente, projetos aprovados pelo Congresso quando considerar que violam a Constituição ou o interesse público.
🔎Quando isso acontece, cabe ao Congresso Nacional decidir se a medida será mantida ou derrubada. Essa análise será feita agora, em sessão conjunta da Câmara e do Senado. Para derrubar um veto, são necessários os votos de 257 deputados e 41 senadores. As votações ocorrem separadamente, mas na mesma sessão.
A votação é aberta e nominal, feita por meio de cédula eletrônica. A apuração começa pela Câmara dos Deputados.
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional
Marcos Oliveira/Agência Senado
Cenários
Se o veto for mantido, a proposta é arquivada.
Se o veto for derrubado, o texto será encaminhado para promulgação pelo presidente da República em até 48 horas. Caso isso não ocorra, a tarefa caberá ao presidente do Senado, no mesmo prazo. Se ele também não promulgar, a responsabilidade passa para o vice-presidente do Senado.
Após a promulgação, o texto passa a valer como lei, com vigência imediata após a publicação oficial.
O Ministério da Fazenda informou nesta sexta-feira (30) que a penalidade para as empresas que não preencherem os campos relativos aos impostos sobre o consumo, na nota fiscal eletrônica, começarão em agosto deste ano.
Isso ocorre porque a regulamentação da reforma tributária foi publicada hoje no "Diário Oficial da União".
A partir dessa publicação, os contribuintes têm um prazo de três meses para preencher as notas fiscais "destacando" os futuros impostos sobre o consumo: a CBS federal e o IBS estadual e municipal.
Durante esse período de transição, até agosto, não há aplicação de penalidades pelo não preenchimento dos campos específicos da CBS e do IBS nos documentos fiscais eletrônicos.
Com isso, as notas fiscais que não trouxerem preenchidos os campos dos futuros impostos sobre o consumo, a CBS federal e o IBS estadual, não serão automaticamente rejeitadas.
"A orientação consolida o caráter educativo que marcará 2026, ano inicial de implementação da Reforma Tributária. O período foi concebido como um tempo de aprendizado, testes e calibragem, tanto para contribuintes quanto para administrações tributárias. Além disso, a diretriz confere maior segurança jurídica, permitindo que os contribuintes ajustem gradualmente seus sistemas e rotinas fiscais ao novo modelo", explicaram a Receita Federal e o Comitê Gestor dos estados e municípios no fim do ano passado.
Nova plataforma tecnológica
Uma nova plataforma tecnológica que será inédita no mundo, 150 vezes maior do que o PIB, entra em funcionamento no próximo ano para operacionalizar os pagamentos dos impostos sobre produtos e serviços.
🔎 O novo sistema vai viabilizar e estruturar o pagamento dos futuros impostos sobre valor agregado (IVA), previstos na reforma tributária sobre o consumo – aprovada em 2024 pelo Congresso Nacional e sancionada no início deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Já em fase de testes, o objetivo da Receita Federal é de que a plataforma esteja funcionando em 2026 sem gerar cobrança efetiva (alíquota pequena de 1%, que será "destacada", ou seja, abatida em outros tributos).
A partir de 2027, quando haverá extinção do PIS e da Cofins federais, o sistema do "split payment" começará a operar em toda a economia para a CBS (tributo federal), focado nas negociações entre empresas — o chamado "business to business", sem abranger o varejo.
De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS, com a redução gradual das alíquotas do ICMS e do ISS e o aumento gradual da alíquota do IBS (o futuro tributo sobre consumo dos estados e municípios).
Desafio para empresas
Reportagem do g1 mostrou, em novembro, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas a partir de 2026.
➡️Especialistas ouvidos relataram que as empresas despreparadas poderiam ter desde mercadorias paradas e incapacidade do contas a pagar, liquidar a fatura, até a possibilidade de a empresa não aproveitar os créditos tributários, gerando um impacto direto no fluxo de caixa.
➡️Já a Receita Federal negou que haverá um aumento de complexidade na emissão das notas fiscais, e também afastou interpretações de que poderá haver um cenário caótico para as empresas a partir de 2026.
Segundo o órgão, os campos das notas fiscais serão praticamente os mesmos de hoje, como: CNPJ ou CPF, de compradores ou vendedores, além da quantidade de produtos, valor da venda e códigos tributários, por exemplo.
Congresso pode reduzir a pena de Bolsonaro e impor nova derrota ao governo Lula Parlamentares analisam veto do presidente a projeto que reduz penas de condenados pelo 8 de janeiro. Ontem, Senado rejeitou indicação de Messias. O Congresso vai analisar, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Lula ao projeto que reduz a pena de condenados por atos golpistas, inclusive Bolsonaro. . Para derrubada do veto, serão necessários 257 votos de deputados e mais 41 votos de senadores. . A tendência é que a oposição ao governo Lula atinja o número suficiente para tornar lei a redução das penas.. Esta será a 2ª derrota da semana para o governo Lula. Ontem, em resultado histórico, o Senado rejeitou a indicação de Messias ao STF.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado Davi Alcolumbre
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO
A derrota de Jorge Messias é tratada no governo como uma derrota direta do presidente Lula e expõe uma fragilidade relevante na articulação política no Congresso.
Após o resultado, Messias conversou com Lula e foi tranquilizado.
Publicamente, o discurso do Palácio do Planalto é de que, assim como o presidente tem o direito de indicar, o Senado também tem o direito de aprovar ou rejeitar. Internamente, essa posição é vista como uma forma de tentar reduzir a dimensão política da derrota.
Nos bastidores, porém, a avaliação é mais dura.
Há consenso de que o episódio é inédito e evidencia uma fragilidade grande do governo na relação com o Congresso.
O governo se preocupa com essa percepção de absoluta fraqueza, mas tem gente no governo que diz que errará quem apostar que o governo acabou e que isso é uma demonstração de chances pequenas de Lula se reeleger.
Neste primeiro momento, a decisão do governo parece ser a de Lula não indicar mais ninguém para o posto.
A avaliação é de que, hoje, a única indicação com chance de passar no Senado seria um nome alinhado ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e ao Centrão. E isso, segundo o relato de auxiliares de Lula ouvidos pelo blog, é algo que Lula não pretende fazer.
O presidente também evita alimentar a ideia de que abriria uma guerra com Alcolumbre.
A palavra de ordem no governo é deixar essa situação decantar e analisar os próximos passos.
Há uma outra percepção de que a equipe de Lula de articulação política falhou mais uma vez e de que o governo está desguarnecido no Congresso Nacional.
Nesse sentido, o blog perguntou se o presidente pretendia mudar a equipe após a derrota.
Rejeição de Messias fortalece Moraes e mantém maioria no plenário da Corte
A resposta, por ora, é de cautela.
“Como você sabe, em situações como essa, não se toma decisões no calor do momento. Além disso, é necessário avaliar os vários componentes que levaram a essa situação”, afirmou uma fonte do Palácio do Planalto.
Entre parlamentares petistas próximos ao governo, a derrota é atribuída, além da atuação de Alcolumbre, ao caso Banco Master e a uma articulação que envolveria setores do Centrão e uma ala do Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes é apontado como alguém próximo de Alcolumbre e que não via com entusiasmo a ida de Messias para o STF.
A situação ganhou outro elemento quando o ministro André Mendonça passou a apoiar Messias.
Como Mendonça é visto como um contraponto a Moraes, especialmente nas investigações do caso Master, esse movimento reforçou a percepção de que havia resistência à indicação dentro do próprio ambiente do Supremo.
Outro ponto em aberto é o futuro de Messias.
Segundo interlocutores, ele ainda avalia os próximos passos e, neste momento, não demonstra disposição imediata de retornar à Advocacia-Geral da União.
Em derrota histórica, Senado rejeita a indicação de Jorge Messias para o STF
A violência obstétrica é uma realidade no Brasil. A estimativa é de que uma a cada quatro mulheres sofra algum tipo de violência durante o parto. O tema foi debatido em audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).