Sede do Banco Central em Brasília
Raphael Ribeiro/BCB
O Banco Central (BC) estimou nesta quinta-feira (25) que a inflação, no acumulado em 12 meses, permanecerá acima do teto do sistema de metas até o fim deste ano.
Com isso, a autoridade monetária prevê ter de escrever uma nova carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, por descumprir o objetivo fixado em lei.
➡️Entenda: desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
➡️Pela regra, o BC tem de escrever carta aberta quando houver estouro da meta de inflação por seis meses seguidos.
Agora no g1
Em doze meses até maio deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial subiu para 4,72%, ultrapassando, assim, o teto de 4,5% fixado no sistema de metas brasileiro.
Nesta quinta-feira (25), o Banco Central informou, por meio do Relatório de Política Monetária, que projeta uma inflação de 4,8% em doze meses até junho e setembro, e de 5,2% no ano de 2026 fechado.
A estimativa retornaria para dentro dos limites no segundo trimestre do ano que vem, projetou o Banco Central. E, para 2027 fechado, a expectativa está em 4%.
➡️Como a inflação oficial permanecerá acima do teto de 4,5% do sistema de metas até o fim do ano, o BC projeta que terá de escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda em novembro – pois haveria estouro da meta por seis meses seguidos em outubro.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Soldado observa navio comercial iraniano M/V Touska a partir de navio de guerra dos EUA durante bloqueio marítimo no Oriente Médio em 20 de abril de 2026.
Divulgação/Marinha dos EUA
Guerra no Oriente Médio
A explicação para o aumento da inflação neste ano é a guerra no Oriente Médio. O conflito fez disparar o preço do petróleo e, por isso, tem pressionado a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
Com a guerra, o barril de petróleo operou, nos últimos meses, ao redor de US$ 100. Com o acordo de paz anunciado entre os Estados Unidos e o Irã, o produto teve queda neste início de semana, operando ao redor de US$ 75 por barril nesta quinta-feira (25).
O governo lançou medidas para aliviar o impacto do aumento do petróleo na inflação brasileira, como redução de tributos e subsídios para combustíveis.
Por conta do conflito, os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa de inflação, atingindo, na semana passada, 5,33%. Eles também passaram a projetar cortes menores de juros no decorrer de 2026.
“Em um ambiente de hiato do produto positivo [atividade em alta] e mercado de trabalho aquecido, a inflação mais elevada no trimestre também decorre do conflito no Oriente Médio, com impacto em especial no preço de combustíveis. Nesse contexto, as expectativas de inflação registraram elevação acentuada para 2026 e ampliação da desancoragem [das metas] para 2027 e 2028”, informou o BC.
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