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Bolsonaro e o ‘assassinato de reputação’

Por que Jair Bolsonaro terminou seu governo com índices elevados de rejeição? Até que ponto as acusações que lhe foram imputadas de forma recorrente influenciaram a opinião pública?
Em muitos desses episódios, não houve comprovação de culpa ou as investigações não avançaram de forma conclusiva. Ainda assim, muitas pessoas passaram a considerá-lo culpado. Vale a pena analisar como esse imaginário foi sendo construído, revisitando alguns dos principais episódios.

O caso Marielle
Ao longo de seu governo, Bolsonaro foi alvo constante de acusações sobre os mais diversos assuntos. Um dos casos mais explorados foi o assassinato de Marielle Franco. Seus opositores insinuavam, com frequência, que ele poderia
ter algum tipo de participação no crime. A pergunta “Quem mandou matar Marielle?” era repetida como um mantra em debates e manifestações.
Para agravar a situação, uma reportagem da Rede Globo, exibida no Jornal Nacional, divulgou o depoimento de um porteiro do condomínio onde Bolsonaro possuía casa. Segundo ele, Élcio Queiroz, um dos executores do crime, teria solicitado acesso ao imóvel nº 58, pertencente ao então presidente, no dia do assassinato.
Nem conhecia o suspeito
Posteriormente, o depoimento apresentou inconsistências, e registros indicaram que Bolsonaro estava em Brasília naquele momento. O presidente sempre negou qualquer ligação com o caso e afirmou não conhecer o suspeito.
As investigações não encontraram elementos que o vinculassem ao crime, posteriormente atribuído a outros envolvidos, como Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa. Ainda assim, sua imagem acabou sendo
afetada pela repetição das acusações.
O caso Fabrício Queiroz
Em outras situações, na tentativa de atingi-lo, as acusações se voltaram para um de seus filhos, . Foi o caso da frase repetida exaustivamente: “Onde está o Queiroz?”. A insinuação era de que Fabrício Queiroz estaria sendo ocultado
para não revelar possíveis irregularidades relacionadas a Flávio Bolsonaro no chamado caso das rachadinhas.
Nesse processo, decisões judiciais anularam provas por irregularidades, o que enfraqueceu as acusações. Ainda assim, o caso passou por diferentes fases, mantendo o tema em evidência por longo período.
O caso das joias
Outro episódio de grande repercussão foi o das joias sauditas. Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal por supostas irregularidades na incorporação e tentativa de venda de presentes recebidos em viagens oficiais. A defesa
sustenta que os itens seriam de uso pessoal, com base em interpretações do Tribunal de Contas da União. O caso ainda segue em discussão.
A questão da vacina Covaxin também ganhou destaque. Houve suspeita de prevaricação, sob a alegação de que o presidente teria sido alertado sobre possíveis irregularidades e não teria agido. Bolsonaro afirmou que encaminhou
o caso às autoridades competentes. A Polícia Federal concluiu não haver elementos suficientes para caracterizar o crime, e o caso foi arquivado a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Nem a baleia escapou
Houve ainda episódios que beiraram o insólito. Em um deles, Bolsonaro foi acusado de importunar uma baleia jubarte ao pilotar um jet ski no litoral de São Sebastião. O caso ganhou repercussão, chegou a ser investigado, mas acabou arquivado por falta de elementos que configurassem crime. Ainda assim, serviu para alimentar o ambiente de permanente suspeita.
Não é difícil perceber o efeito cumulativo desse processo. Mais do que cada episódio isolado, foi a repetição constante das acusações que contribuiu para a formação de uma imagem negativa.
Agora é Flávio 
Agora, quem passa a ocupar os holofotes é seu filho Flávio Bolsonaro. À medida que ganha espaço nas pesquisas, aumentam também os questionamentos. Resta saber se terá a mesma capacidade de suportar esse tipo de exposição.
Sendo o político da situação ou da oposição, não importa. Se cometer algum crime, deve pagar pelos erros cometidos. O que precisa ser combatido é a criação de narrativas fantasiosas apenas para prejudicar reputações e
comprometer a campanha do adversário. Isso já não é política. É outra coisa. E dificilmente será por esse caminho que o país encontrará as soluções de que precisa. Siga pelo Instagram: @polito


Fonte: Jovem Pan

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