O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou nesta quinta-feira (25) a proposta de delação premiada de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A informação foi noticiada pela Folha de S. Paulo e confirmada pela Jovem Pan.
Em decisão, o PGR afirmou que as informações apresentadas por Paulo Henrique Costa tem “reduzida utilidade” e “débil eficácia” na apuração da Polícia Federal (PF) sobre as supostas fraudes envolvendo o Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero. Gonet disse também que o depoimento do ex-presidente do BRB não geraria resultado diferente do alcançado pela investigação.
A PF ainda não deu uma resposta sobre a proposta de delação de Paulo Henrique Costa.
O ex-presidente do BRB é investigado desde a primeira fase da operação deflagrada em 18 de novembro de 2025. À época, ele foi afastado do Bando de Brasília por decisão judicial e depois demitido pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do BRB após identificar um suposto fluxo de propina destinado a ele durante a negociação da venda do Banco Master ao BRB. Paulo Henrique Costa foi um dos alvos da quarta fase da operação.
A corporação também indicou que ele teria tido papel central para viabilizar a compra de carteiras fraudulentas do Banco Master. Em troca, o ex-presidente do BRB receberia R$ 146 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo seis imóveis de alto padrão no Distrito Federal e em São Paulo.
Delação de Vorcaro
Em 15 de maio, a PGR rejeitou a última proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro. Na nova versão, o banqueiro havia modificado o relato sobre a relação com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). No depoimento, ele adotou o entendimento das investigações. Assim, o dono do Master abandonou o discurso anterior de manter vínculo de amizade com os políticos e classificou o envolvimento como casos de propina.
Antes, em 11 de maio, a PF recusou a proposta do banqueiro. A Jovem Pan adiantou que a corporação rejeitaria o novo relato. Para os investigadores, a afirmação dada pelo dono do Banco Master de que pagava a Ciro Nogueira e Cláudio Castro propina era insuficiente.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de:
Banco Master S/A;
Banco Master de Investimentos S/A;
Banco Letsbank S/A;
Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, a instituição financeira oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
Fonte: Jovem Pan