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COLUNA DO SIMPI – Redução da jornada de trabalho acende debate e divide o País

Redução da jornada de trabalho acende debate e divide o País

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate público no Brasil. Propostas que sugerem diminuir o número de horas semanais trabalhadas têm sido apresentadas como uma tendência mundial e como um caminho para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, especialistas e representantes do setor empresarial afirmam que essa interpretação não corresponde totalmente à realidade global. Embora alguns países tenham iniciado experiências com jornadas mais curtas, o modelo ainda está longe de ser uma prática universal. Nações com alta produtividade per capita, como Bélgica, Espanha, Islândia e Finlândia, vêm testando formatos mais flexíveis ou semanas de trabalho reduzidas. Por outro lado, economias consideradas concorrentes diretas do Brasil no cenário internacional, como Estados Unidos, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul, mantêm há décadas jornadas tradicionais de trabalho. Diante desse cenário, surge uma questão central: reduzir a jornada de trabalho realmente melhora o equilíbrio entre vida pessoal e profissional? Para parte do setor produtivo, a resposta não é tão simples. Segundo empresários, a adoção de jornadas menores pode trazer desafios importantes, principalmente no que diz respeito ao impacto econômico e à manutenção de empregos. Além disso, existem setores essenciais, como saúde e segurança pública, onde a redução da carga horária é mais complexa de ser implementada. Outro ponto destacado é a necessidade de adaptação tanto das empresas quanto dos trabalhadores a possíveis mudanças no modelo de trabalho. No Brasil, propostas que sugerem a redução da jornada para 40 ou até 36 horas semanais já aparecem em discussões políticas e legislativas. Para representantes do setor empresarial, porém, uma mudança dessa magnitude deveria ser amplamente debatida e decidida diretamente pelos principais interessados: empregadores e trabalhadores. Entre as alternativas levantadas está a possibilidade de discutir novos formatos de remuneração, como o pagamento por hora trabalhada, o que permitiria jornadas mais flexíveis. Atualmente, o debate apresenta posições distintas. Enquanto alguns defendem que a redução da jornada representa um avanço nos direitos trabalhistas e na qualidade de vida, outros alertam para possíveis impactos na competitividade das empresas e na economia. Apesar das divergências, há um ponto de consenso: as formas de trabalho estão passando por transformações significativas. E compreender os efeitos dessas mudanças, tanto para trabalhadores quanto para empresas, será essencial para o futuro das relações de trabalho no país.
Assista: https://youtu.be/uGVdZAbBA2Q

Escala de trabalho 6×1 e 5×2: entenda a diferença

Muita gente tem perguntado sobre as escalas de trabalho 6×1 e 5×2, especialmente por causa das discussões recentes sobre jornada e qualidade de vida no trabalho. Por isso, vale a pena entender o que cada uma significa e como elas funcionam na prática. A escala 6×1 é a mais comum atualmente em diversos setores. Nesse modelo, o trabalhador exerce suas atividades durante seis dias na semana e tem um dia de folga. Na maioria das vezes, a jornada acontece de segunda a sábado, com descanso no domingo.
Já a escala 5×2 funciona de forma diferente. Nesse caso, o profissional trabalha cinco dias na semana, normalmente de segunda a sexta-feira, e tem dois dias consecutivos de descanso, geralmente sábado e domingo. Esse modelo é bastante adotado em empresas administrativas e em atividades de escritório. Na prática, a principal diferença está na quantidade de dias de descanso durante a semana. A escala 5×2 oferece mais tempo livre ao trabalhador, mantendo, em muitos casos, a mesma remuneração mensal. Se você ainda tem dúvidas sobre como essas escalas funcionam ou quer entender melhor como elas se aplicam ao seu trabalho ou à sua empresa, é possível buscar orientação junto ao SIMPI, que pode esclarecer detalhes e orientar trabalhadores e empresários sobre o tema.
Assista: https://youtu.be/469gs96vfKg

IBGE e o PIB de 2025 com crescimento 2,3% e 12,7 Trilhões

O Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador utilizado para medir o nível de atividade econômica de um país em determinado período. O dado reúne a produção de bens e serviços e permite observar o desempenho dos setores da economia, bem como o comportamento do consumo, do investimento e dos gastos do governo. Para analisar os números divulgados, o economista Otto Nogami comentou os resultados mais recentes apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, o PIB do Brasil registrou crescimento de 2,3% em 2025, alcançando o valor de 12,7 trilhões de reais. O resultado indica expansão da atividade econômica, porém abaixo das projeções do mercado. Ele destaca que, ao observar a variação do indicador nos períodos recentes, nota-se uma redução no ritmo de crescimento, o que aponta limites na estrutura econômica. Ao decompor o PIB pelo lado da oferta, o economista aponta que o setor agropecuário registrou crescimento de 11,7%, com destaque para a produção de soja e milho. O desempenho está relacionado ao resultado da safra agrícola de 2025. No setor industrial, o crescimento foi de 1,4%. Esse resultado foi influenciado principalmente pela indústria extrativa, ligada à produção de petróleo e minério de ferro, e não pela indústria voltada ao atendimento da demanda da sociedade. O setor de serviços registrou crescimento de 1,8%. Na análise do economista, ao considerar o comportamento do setor nos últimos anos, observa-se que após um período de expansão, os dados recentes indicam estabilidade. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias apresentou crescimento de 1,3%. Os gastos do governo registraram aumento de 2,1%. Já os investimentos, medidos pela formação bruta de capital fixo, cresceram 2,9%. Nogami chama atenção para o crescimento das despesas do governo em um cenário de endividamento público. Segundo ele, a necessidade de financiamento da dívida pode gerar efeitos sobre o funcionamento da economia e sobre o setor privado. No conjunto da economia, a taxa de investimento em 2025 ficou em 16,8% do PIB. O economista observa que o nível considerado adequado para sustentar o crescimento econômico ao longo do tempo seria próximo de 20%. Outro indicador apresentado foi a taxa de poupança, que ficou em 14,4% do PIB. A diferença entre a taxa de investimento e a taxa de poupança foi de 2,4%, o que indica, a presença de recursos externos no financiamento da atividade econômica. O PIB per capita registrou crescimento de 1,9% em 2025. Ao comparar com o desempenho de outras economias, o economista cita o caso da Índia, que apresentou crescimento de 7,8% no mesmo período. Os dados revelam desafios para a condução da política econômica e para a definição de estratégias de crescimento no país.
Assista: https://youtu.be/LO86M9YmKzE

Vamos falar sobre planejamento financeiro?

O planejamento financeiro é um instrumento utilizado pelas empresas para organizar receitas, despesas e necessidades de recursos ao longo do tempo. Entre os mecanismos utilizados nesse processo, o fluxo de caixa ocupa papel central, pois permite acompanhar as entradas e saídas de dinheiro e antecipar situações de falta de recursos. Para tratar do tema, o auditor e perito contador Vitor Stankevicius destaca a importância do controle do fluxo de caixa no cotidiano das empresas. Companhias de grande porte costumam utilizar sistemas de gestão empresarial que permitem acompanhar resultados, vendas, compras e outras informações em tempo real, o que facilita a análise financeira e a tomada de decisões. No caso das pequenas empresas, entretanto, essa estrutura nem sempre está disponível. Muitos pequenos negócios recorrem a planilhas eletrônicas para registrar e organizar dados financeiros. O uso de ferramentas como o Microsoft Excel pode cumprir essa função ao permitir o acompanhamento das movimentações de recursos da empresa. O auditor explica que o controle do fluxo de caixa deve registrar todas as entradas e saídas de recursos, permitindo ao empresário conhecer a situação financeira do negócio no momento atual e também projetar cenários futuros. Com base nessas projeções, é possível identificar antecipadamente períodos em que haverá déficit de caixa. Em uma situação hipotética, ao observar as movimentações previstas para uma data futura, o empresário pode perceber que as despesas superarão as receitas e que será necessário recompor o caixa. A partir dessa identificação, o gestor pode avaliar alternativas para enfrentar a situação. Entre as possibilidades estão a entrada de recursos pelos próprios sócios, a realização de empréstimos dos sócios para a empresa ou o aporte definitivo de capital no negócio. Outra alternativa mencionada por Stankevicius é a busca por crédito junto a instituições financeiras. Nesse caso, segundo ele, a empresa precisa considerar o custo dos juros praticados no mercado financeiro ao planejar a operação. O acompanhamento regular do fluxo de caixa permite antecipar dificuldades financeiras e ampliar a capacidade de planejamento.
Assista: https://youtu.be/YJnO5WSV-uw

Guerra no Oriente Médio põe Petróleo em risco

O cenário internacional tem apresentado mudanças nas relações econômicas, comerciais e políticas entre países. Conflitos, disputas comerciais e decisões judiciais em grandes economias influenciam o comércio internacional, o preço de commodities e a organização das cadeias globais de produção. Professor Dr. Rabih Nasser nosso convidado para falar sobre o tema. Nasser é professor de Direito na Fundação Getúlio Vargas e doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo. Durante a entrevista, o especialista analisou os impactos sobre a economia e o comércio global. Segundo ele, o mundo vive um período marcado por conflitos e mudanças no comportamento dos países em relação às normas que organizam as relações internacionais. Na avaliação do professor, esse processo vem ocorrendo há algum tempo e ganhou intensidade no último ano. Parte dessa instabilidade está ligada à redução da observância das regras internacionais, o que aumenta o nível de incerteza nas relações entre países. Um dos reflexos dessa situação envolve o mercado de energia, especialmente a circulação do petróleo no comércio mundial. O professor cita como exemplo a relevância do Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo. Caso ocorram interrupções ou restrições nessa rota marítima, os efeitos podem atingir o preço do petróleo e gerar impactos econômicos em diversos países. Além da questão energética, aponta que conflitos e tensões internacionais também podem provocar mudanças logísticas e comerciais. Empresas e governos podem ser obrigados a buscar novas rotas de transporte e novas fontes de fornecimento de produtos, o que altera a organização do comércio internacional. Nas últimas décadas a globalização ampliou a integração entre economias por meio da fragmentação das cadeias de valor. Esse processo estimulou o crescimento do comércio internacional e intensificou o fluxo de bens, serviços e pessoas entre países. O contexto atual tende a gerar impactos nesse sistema. Viagens internacionais, transporte de mercadorias e comunicações podem sofrer alterações, exigindo adaptações por parte das empresas e dos agentes econômicos. Outro ponto analisado durante a entrevista foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas de importação adotadas pelo governo norte-americano. O tribunal decidiu que o presidente não possuía competência para aplicar determinadas tarifas com base em uma lei de 1974 utilizada como fundamento para medidas comerciais emergenciais. As tarifas haviam sido adotadas durante o governo de Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025. Desde o começo da administração, o governo norte-americano passou a utilizar tarifas comerciais com diferentes justificativas previstas na legislação interna do país, como segurança nacional e medidas emergenciais. A decisão da Suprema Corte determinou a revogação dessas tarifas, incluindo uma sobretaxa de 40% aplicada sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Com a decisão judicial, as medidas deixaram de produzir efeitos. Um dos desdobramentos da decisão envolve a possibilidade de devolução dos valores pagos pelas empresas importadoras. De acordo com o professor, erca de mil empresas já ingressaram com ações judiciais nos Estados Unidos para solicitar o reembolso das tarifas recolhidas, uma vez que a decisão da corte indica que a cobrança não possuía fundamento legal desde o início. Nesse contexto, a revogação das tarifas também pode provocar renegociação de contratos comerciais. Importadores norte-americanos que pagavam taxas mais elevadas tendem a revisar preços com exportadores estrangeiros, incluindo empresas brasileiras. Após a decisão judicial, uma nova tarifa de 10% foi aplicada sobre importações com base em outra justificativa legal relacionada à balança de pagamentos. A legislação utilizada prevê a possibilidade de aplicação de tarifas de até 15% por um período de até 150 dias. Apesar da incerteza, o especialista afirma que a revogação das tarifas mais elevadas abre espaço para a retomada de negócios entre exportadores brasileiros e empresas dos Estados Unidos. Durante o período em que a sobretaxa esteve em vigor, parte das exportações foi reduzida ou exigiu renegociação de preços. Ao analisar o cenário para os próximos meses, Nasser afirma que o ambiente internacional ainda apresenta incertezas. Segundo ele, medidas comerciais podem ser retomadas com base em outros instrumentos legais, como investigações previstas na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Além disso, a proximidade das eleições norte-americanas pode influenciar decisões econômicas e comerciais adotadas pelo governo. O período de 150 dias previsto para a aplicação das novas tarifas pode funcionar como uma fase de reavaliação das políticas comerciais. Nesse contexto, o professor também menciona a relevância de acordos comerciais em negociação, como o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que pode ampliar a integração econômica entre as regiões.
Assista: https://youtu.be/3ZdJDKZZ1NA

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