Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: O VOTO, O ÓDIO E OS PROGRAMAS SOCIAIS…
O estado de Rondônia, como sabemos, ainda é um estado novo, se comparado a outras unidades da federação, como é o caso de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e tantas outras. Assim, o fato de ser um estado em desenvolvimento implica dizer que os programais sociais do governo federal e os projetos voltados para reduzir as desigualdades são absolutamente necessários. O problema é que milhares de rondonienses que precisam ser atendidos pelos programas sociais resolveram alimentar um ódio sem limites, exatamente pelo presidente que mais investe nesses programas. Os números são tão significativos que não há como entender esse grau de ódio e cegueira, especialmente quando partem justamente de pessoas atendidas pelos programas. Considerando os resultados oficiais de 4 de outubro, é difícil imaginar que o quadro mudará em pouco tempo, no estado, mas isto não nos impede de fazer uma reflexão sobre os fatos. É preciso ficar claro, porém, que ninguém está obrigado a fazer juras de amor pelo governo ou pelos programas sociais, mas fingir que eles não existem, apenas como pretexto para alimentar ódio, é algo que não faz sentido. A pergunta que se faz é a seguinte: onde querem chegar as pessoas de baixa renda que pensam com tanto ódio?
Antes de comentar alguns desses números, precisamos lembrar que os programas sociais estão devidamente amparados pelo Art. 3º da Constituição Federal, embora eles tenham sido completamente ignorados no governo anterior, e todo mundo em Rondônia sabe disso. No período entre 2019 e 2022, quantas casas populares do Programa Minha Casa Minha Vida foram construídas e entregues para a população de Rondônia? A resposta é: nenhuma! Em contraste a essa realidade, entre 2023 e 2026, quase 12 mil pessoas receberam a casa e outras 15 mil casas foram contratadas. Esses números constam nos dados oficiais das prefeituras de Rondônia e não podemos fingir que eles não existem. Trocar esses dados oficiais e as entregas do governo no estado pelo ódio cego é uma coisa que pode causar sérios prejuízos aos rondonienses, mas a verdade é que a entrega de novas casas populares pode acabar no estado, da mesma maneira que o programa de moradia foi interrompido no estado em 2019, voltando apenas em 2023. A construção e entrega de casas populares no estado, além de garantir moradia a quem não tem, fazem movimentar a economia, porque as famílias compram moveis, eletrodomésticos e outros produtos no comércio, para se instalarem em suas novas casas. Isto é a realidade. E esta realidade foi possível com o governo atual. O rondoniense tem o direito de alimentar o ódio, mas não pode negar a realidade…
Com relação à situação dos trabalhadores rondonienses, todos aqueles que possuem renda mensal até R$ 5.000,00 foram beneficiados com o projeto do governo Lula que isentou do imposto de renda cerca de 82,7% dos trabalhadores de nosso estado. Antes do projeto do governo, esses trabalhadores tinham que pagar imposto de renda. Não é possível que as pessoas tentem ignorar um fato significativo como este. Agora, as pessoas que vivem em Rondônia e que possuem renda mensal acima de 50 mil reais têm o direito de reclamar que não tiveram esse benefício. Todos os leitores que ganham mais de 50 mil por mês podem pregar o ódio contra a coluna, porque eles têm direito, embora o ódio não seja um sentimento saudável. E não existe nenhum problema no fato de uma pessoa ganhar mais de 50 mil por mês, porque isto não é crime, não é ilegal, não é proibido… O que não dá para entender é ver pessoas que ganham menos de 5 mil dizendo que não concordam com a isenção do imposto de renda para elas mesmas. Se todos os trabalhadores de Rondônia ganhassem mais de 50 mil por mês, nosso estado seria um paraíso, mas não é essa a realidade. E não existe nenhum problema no fato de alguém declarar ser de direita ou esquerda; porque ter opinião política não é crime. O problema, o grande problema, é constatar que milhares de pessoas pobres entraram nessa onda de ódio cego. E esse ódio pode levar milhares de rondonienses a irem às urnas, em 25 de outubro, votar contra as moradias populares, votar contra a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil e votar para colocar em risco outros tantos programas sociais que tanto são necessários para os rondonienses. Por que isso? Por que tanto ódio?
No aspecto da educação, somente este ano, cerca de 11 mil pessoas foram beneficiadas em Rondônia, pelo Programa Universidade Para Todos (PROUNI). Este programa serve para garantir bolsas de estudo para que as pessoas façam uma faculdade e se preparem para o mercado de trabalho. O PROUNI estará seriamente ameaçado, a partir de janeiro, porque uma derrota de Lula significa um risco altíssimo de programas como este chegarem ao fim. Isto porque seu concorrente já anunciou que fará cortes nos investimentos da educação universitária, e todo mundo que acompanha a disputa sabe disso. Não é possível que os eleitores rondonienses sintam tanto ódio das pessoas que desejam estudar e fazer uma faculdade pelo PROUNI. O programa é um benefício direto para os estudantes cujas famílias não podem pagar uma faculdade, mas também é um benefício para as instituições privadas instaladas em Rondônia. Por que esse ódio contra as pessoas que desejam estudar? Por que colocar em risco um programa como este? Ver pessoas que ganham menos de 5 mil reais e que podem colocar seus filhos nas faculdades por conta do PRUNI votando contra esse programa, é uma coisa que não dá para entender. Qual é o objetivo de eleitores que pensam assim?
Claro que a coluna não dispõe de tanto espaço para elencar outros programas igualmente importantes, mas eles existem. Nesse caso, o leitor pode fazer uma pesquisa e procurar saber quantas famílias rondonienses são atendidas com a Bolsa Família; quantas famílias recebem o Gás do Povo, quantas pessoas são beneficiadas com a Farmácia Popular… E não se trata de defender Lula, porque não é isso que está em jogo. O que está em jogo, e merece nossa reflexão, é a que ponto pode chegar o ódio dos rondonienses que ignoram tudo isso e se deixam levar pelo sentimento de ódio em detrimento dos benefícios sociais. Obviamente que as reflexões registradas nesse texto podem não surtir o efeito desejado, mas servirão para provar que o ódio pode levar um estado tão promissor ao caos social. E não terá sido por falta de aviso… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular

