Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.
FATO
A sucessão de acidentes fatais na principal rodovia de Rondônia expõe uma realidade assustadora: enquanto famílias enterram seus mortos, faltam explicações técnicas, transparência e um debate público consistente sobre o que precisa ser feito para interromper essa tragédia.

FATO 2
A Nova 364 precisa compreender que administrar uma rodovia não significa apenas explorar economicamente sua operação, mas assumir responsabilidades diante da sociedade.
MAIS UMA MORTE
Em outro acidente com vítima fatal na BR-364, tivemos mais uma família destruída, mais uma vida interrompida e mais um episódio de uma violência rodoviária que parece não ter limites.
ROTINA
A notícia se repete com uma frequência assustadora, enquanto a sociedade vai sendo perigosamente acostumada a conviver com a morte.
ATÉ QUANDO?
A pergunta é simples e exige uma resposta: até quando a BR-364 continuará sendo cenário de acidentes fatais sem que exista uma discussão pública permanente, séria e tecnicamente fundamentada sobre as causas dessa violência?
SILÊNCIO INACEITÁVEL
Chama a atenção a postura da concessionária Nova 364 diante da sucessão de acidentes. Falta uma comunicação pública mais consistente, capaz de explicar tecnicamente o que está acontecendo e quais medidas concretas estão sendo adotadas para aumentar a segurança dos usuários.
RESPONSABILIDADE
É evidente que nem todo acidente pode ser atribuído às condições da rodovia. Imprudência, ultrapassagens proibidas, excesso de velocidade e desrespeito às normas de trânsito também matam. Mas isso não elimina a responsabilidade da concessionária de estudar os riscos, apresentar diagnósticos e participar ativamente da prevenção.

CADÊ O DEBATE?
O mais preocupante é a ausência de um grande debate público liderado pela própria concessionária. Quem administra uma rodovia com tamanha importância econômica e social deveria ser o primeiro interessado em reunir autoridades, transportadores, especialistas e usuários para discutir soluções.
EXPLICAÇÕES TÉCNICAS
Onde estão os levantamentos sobre os trechos mais perigosos? Quais são os fatores predominantes nos acidentes graves? Há problemas de sinalização, geometria da pista, visibilidade ou condições de ultrapassagem? A população precisa conhecer essas respostas.
NÃO BASTA COBRAR
Uma concessão rodoviária não pode ser percebida pela sociedade apenas como um mecanismo de arrecadação de pedágio. O pagamento deve estar associado a serviços, investimentos, manutenção, transparência e, sobretudo, compromissos verificáveis com a segurança.

VIDAS HUMANAS
É necessário lembrar que os números das estatísticas representam pessoas. São trabalhadores, caminhoneiros, estudantes, pais e mães que utilizam a BR-364 por necessidade. Cada morte produz consequências humanas que nenhuma indenização consegue reparar.
PREVENÇÃO AUSENTE?
A Nova 364 precisa demonstrar publicamente quais medidas preventivas já foram executadas, quais estão em andamento e quais ainda dependem de autorização ou cronograma contratual. Se existem melhorias, que sejam apresentadas e explicadas. O silêncio apenas alimenta a desconfiança.
DEFESA DA PRÓPRIA GESTÃO
Há uma contradição difícil de compreender. Mesmo que a concessionária esteja realizando intervenções importantes, sua comunicação não tem conseguido demonstrar de maneira convincente à população como essas ações contribuem para reduzir acidentes. Nem mesmo a defesa técnica da própria gestão pode ficar em segundo plano.
TRECHOS CRÍTICOS
A identificação dos pontos de maior risco deveria orientar prioridades. Não basta tratar toda a extensão da BR-364 como se apresentasse os mesmos problemas. Existem diferenças de tráfego, circulação de veículos pesados, acessos urbanos e características da pista que exigem soluções específicas.

IMPRUDÊNCIA MATA
Motoristas que ultrapassam em locais proibidos, dirigem cansados ou desrespeitam limites de velocidade precisam ser responsabilizados. Entretanto, atribuir genericamente os acidentes à imprudência, sem investigação individualizada, seria uma explicação cômoda e tecnicamente insuficiente.
E A FISCALIZAÇÃO?
A Polícia Rodoviária Federal desempenha papel fundamental, mas a segurança não pode depender exclusivamente da fiscalização policial. Engenharia, sinalização, educação para o trânsito, monitoramento e resposta rápida às ocorrências precisam funcionar de maneira integrada.
DADOS PÚBLICOS
A concessionária deveria disponibilizar relatórios periódicos com números de acidentes, gravidade das ocorrências, localização, intervenções realizadas e indicadores de segurança. Sem dados acessíveis, a sociedade fica impossibilitada de avaliar se a rodovia está efetivamente melhorando.
DINHEIRO E SEGURANÇA
A cobrança de pedágio aumenta legitimamente a exigência dos usuários. Afinal, quando a exploração da rodovia passa para a iniciativa privada, a população espera resultados concretos. E o principal resultado não pode ser apenas uma pista conservada, mas uma operação que contribua para preservar vidas.
QUEM FISCALIZA?
A ANTT, responsável pela regulação e fiscalização da concessão, também precisa prestar esclarecimentos. Quais metas de segurança estão previstas? Como são acompanhadas? Existem exigências de correção de pontos críticos? O cumprimento dessas obrigações deve ser transparente.
SEM DESCULPAS
É verdade que grandes obras dependem de projetos, licenças, recursos e prazos contratuais. Mas a existência de um cronograma não pode servir de justificativa para a ausência de medidas preventivas imediatas, quando tecnicamente necessárias e legalmente cabíveis.
DUPLICAÇÃO
A discussão sobre a duplicação da BR-364 não pode desaparecer do debate público. A separação dos fluxos em sentidos opostos, quando viável e acompanhada de engenharia adequada, pode reduzir riscos de colisões frontais. É preciso esclarecer quais intervenções estão previstas, onde e em que prazos.
TRANSPARÊNCIA ZERO?
A concessionária precisa responder a uma questão elementar: qual é seu plano público de segurança viária? Não basta divulgar serviços de conservação ou atendimentos operacionais. É necessário demonstrar uma estratégia mensurável de redução de acidentes graves e mortes.
AUTORIDADES CALADAS
Também surpreende a pouca intensidade da cobrança política diante de um problema tão grave. Deputados, senadores, prefeitos e representantes do Governo do Estado deveriam exigir informações técnicas e resultados, independentemente de suas posições sobre a concessão.
SOCIEDADE IGNORADA
Transportadores, produtores rurais, comerciantes e moradores das cidades cortadas pela rodovia conhecem os riscos cotidianos da BR-364. Essas experiências deveriam ser consideradas em audiências públicas e avaliações técnicas. O usuário não pode ser tratado apenas como pagador de tarifa.

COMUNICAÇÃO FALHA
A Nova 364 precisa entender que comunicação institucional não se resume a divulgar obras, serviços e campanhas educativas. Comunicar também significa enfrentar assuntos desconfortáveis, responder a críticas, reconhecer problemas comprovados e apresentar soluções fundamentadas.
MORTES NÃO ESPERAM
Enquanto estudos, contratos e cronogramas seguem seus trâmites, a circulação de veículos continua e novos acidentes podem acontecer. Por isso, medidas emergenciais justificadas por avaliações técnicas devem receber prioridade. A prevenção precisa acompanhar a urgência da realidade.
CHEGA DE OMISSÃO
Não se pode afirmar, sem investigação, que a concessionária seja responsável por determinada morte. Mas é perfeitamente legítimo cobrar que ela assuma protagonismo na discussão sobre segurança. O silêncio institucional diante de uma sequência de tragédias é politicamente insustentável e socialmente inaceitável.
RESPEITO À VIDA
A BR-364 não pode continuar sendo lembrada principalmente pelas tragédias que registra. A Nova 364, a ANTT, a PRF e as autoridades políticas precisam transformar a preocupação em iniciativas públicas, coordenadas e verificáveis. A população não quer apenas explicações depois dos acidentes. Quer providências capazes de evitar os próximos.
FRASE
Enquanto a concessionária fala pouco, as tragédias dizem muito.
Fonte: Tribuna Popular
