A suspensão de compras de carne brasileira pela União Europeia (UE) voltou a acender o debate sobre a capacidade do governo federal de defender os interesses do agronegócio no mercado externo. Em entrevista à Jovem Pan, o presidente do PP no Mato Grosso e vice-presidente do Instituto Pensar Agro, Nilson Leitão, responsabilizou diretamente o Ministério da Agricultura pelo fracasso diplomático e comercial.
“Questão burocrática, incompetência, ineficiência do próprio Mapa à época e de todo o governo”, afirmou Leitão. Para ele, o episódio não é isolado. O dirigente citou ainda o caso da China, que notificou todos os países fornecedores de carne sobre exigências sanitárias e documentais. Todos responderam dentro do prazo. O Brasil não. “É uma irresponsabilidade enorme”, disse.
As consequências, segundo Leitão, chegam diretamente ao chão de fábrica. Frigoríficos regionais que empregam entre 400 e 700 trabalhadores perderam contratos e enfrentam risco de demissões. “Isso atinge lá embaixo. O frigorífico regional, que gera 400, 500, 700 empregos, pode perder, tem que demitir pessoas que perderam contratos interessantes. E isso vai ter que ser recuperado”, afirmou.
O dirigente foi categórico ao apontar o caminho para a solução. “A política não fez o que tinha que fazer. É somente a política que precisa corrigir isso”, disse Leitão, sinalizando que o setor espera uma resposta ativa do Congresso e do Executivo para reabrir os canais comerciais com o bloco europeu.
O Brasil é um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo. O mercado europeu representa um dos destinos mais rentáveis para a carne bovina brasileira, com exigências sanitárias e de rastreabilidade que o país tem capacidade de atender, mas que dependem de documentação e negociação diplomática conduzidas pelo governo federal. A falha no cumprimento de prazos e exigências burocráticas tem custado ao setor não apenas receita, mas credibilidade junto a parceiros estratégicos.
Fonte: Jovem Pan