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Como Ronaldo Fenômeno superou a pior lesão da carreira para decidir a Copa de 2002

Em 12 de abril de 2000, o mundo do futebol assistiu a uma das cenas mais dramáticas da história do esporte quando o joelho direito de Ronaldo Nazário desmoronou no Estádio Olímpico de Roma. O atacante da Internazionale de Milão, que retornava aos campos após quatro meses de molho, sofreu uma ruptura total do tendão patelar apenas seis minutos depois de entrar em campo contra a Lazio.
Para entender como foi a cirurgia e a recuperação do joelho de Ronaldo Fenômeno para jogar a Copa do Mundo de 2002, é fundamental analisar os mais de 15 meses de tratamento cirúrgico e fisioterápico intensivo coordenados pelo cirurgião francês Gérard Saillant e pelo fisioterapeuta brasileiro Nilton Petrone, o “Filé”. O resultado dessa saga médica foi a conquista do pentacampeonato na Coreia do Sul e no Japão, no qual Ronaldo marcou oito gols e se tornou o artilheiro máximo do torneio.
O dia em que o joelho do Fenômeno explodiu em campo
O atacante tinha apenas 23 anos quando enfrentou o seu pior pesadelo profissional. Ronaldo já vinha lidando com dores crônicas e havia passado por uma cirurgia parcial no mesmo joelho em novembro de 1999. Na final da Copa da Itália de 2000, ao tentar realizar sua jogada mais característica — a arrancada explosiva com dribles rápidos —, ele caiu sem sofrer qualquer contato físico. O estalo no tendão foi ouvido pelos atletas que estavam próximos no gramado.
O fisioterapeuta Nilton Petrone revelou em entrevistas que a gravidade foi extrema: a patela (osso que protege a parte frontal do joelho) subiu até o meio da coxa devido à tração violenta sofrida no momento da ruptura. A dor indescritível e a imagem de desespero do jogador geraram um consenso global de que sua carreira de alto rendimento estava encerrada.
A cirurgia de risco na França com o doutor Gérard Saillant
Ronaldo viajou às pressas para Paris para ser operado na renomada Clinique de la Pitié-Salpêtrière pelo especialista Gérard Saillant. O tendão patelar funciona como uma espécie de polia essencial para que o atleta consiga correr, chutar e realizar as arrancadas curtas de velocidade. Como a estrutura havia se rompido por completo, o cirurgião precisou realizar um procedimento invasivo e aberto para aproximar e costurar as extremidades do tecido fibroso.
Na época, Saillant foi sincero com a imprensa internacional ao afirmar que não existia nenhuma garantia de que o jogador voltaria a ser o “Fenômeno” do passado. A cirurgia totalmente aberta trazia um alto risco de infecções hospitalares e exigia que o atleta utilizasse drenos constantes para retirar o excesso de sangue acumulado na articulação lesionada.
O revolucionário método de recuperação montado por Filé
Com o sucesso da cirurgia, começou a etapa mais delicada do processo. O fisioterapeuta brasileiro Nilton Petrone, o Filé, assumiu o controle diário da reabilitação física do atacante. Filé bateu de frente com os protocolos conservadores dos médicos europeus da época, que defendiam o repouso absoluto e a imobilização total da perna por longos meses, o que causaria uma atrofia severa na coxa de Ronaldo.
A estratégia adotada ficou conhecida como “Método de Recuperação Acelerada”. A ideia consistia em manter a articulação em movimento controlado para estimular a cicatrização do tendão sem sobrecarregá-lo com o peso do próprio corpo. Filé aplicou um trabalho inovador focado no ganho precoce de flexibilidade e propriocepção, mantendo a musculatura ativa mesmo sob severas limitações de carga física.
A rotina exaustiva de dez horas de fisioterapia diárias
Para alcançar o nível exigido por uma Copa do Mundo, Ronaldo submeteu-se a uma rotina de sacrifícios brutais. O atacante realizava até três turnos de exercícios por dia, somando cerca de dez horas de fisioterapia diárias. O tratamento iniciava com atividades intensas em piscinas térmicas, onde a água reduzia o impacto articular e permitia ao atleta trabalhar a força muscular das pernas de maneira segura.
Filé utilizou ferramentas de treino incomuns para o futebol profissional, incluindo skates para simular os movimentos de flexão, pés-de-pato e caminhadas de resistência na areia fofa. Durante as madrugadas, o atacante frequentemente necessitava de massagens e compressas de gelo para combater a dor e os espasmos musculares resultantes dos treinos desgastantes.
A aposta de Felipão e a redenção estatística na Copa de 2002
Mesmo com o joelho estabilizado, Ronaldo enfrentou uma série de pequenas lesões musculares ao longo de 2001, fruto do longo período de inatividade. A comissão técnica da Seleção Brasileira, comandada por Luiz Felipe Scolari e pelo médico José Luiz Runco, traçou uma estratégia de proteção para que o jogador pudesse ganhar condicionamento de forma gradativa na Granja Comary. O preparador físico Francisco Javier González realizou um trabalho focado na transição para os gramados.
A aposta de manter Ronaldo no elenco contra a opinião de especialistas internacionais provou-se certeira. Durante a campanha do pentacampeonato mundial de 2002, o atacante apresentou números históricos para a história das Copas:

7 partidas disputadas de forma consecutiva como titular absoluta da Seleção Brasileira.
8 gols marcados em sete jogos, alcançando a artilharia máxima do torneio.
2 gols na final histórica contra a Alemanha, garantindo a vitória por 2 a 0 e o título mundial.

O processo de retorno do jogador desafiou os limites conhecidos da traumatologia esportiva e consolidou o uso de métodos fisioterápicos dinâmicos que hoje são padrão em clubes de elite de todo o mundo.
Dúvidas frequentes sobre a lesão de Ronaldo Nazário
Qual foi a lesão que Ronaldo sofreu no joelho em 2000?
O atacante sofreu uma ruptura total do tendão patelar do joelho direito. Esse tendão é o responsável por ligar a patela à tíbia, permitindo a extensão da perna e sendo fundamental para chutes e arranques rápidos no futebol.
Quem foi o cirurgião responsável pelo procedimento médico de Ronaldo?
A cirurgia de reconstrução foi feita em Paris pelo médico francês Gérard Saillant. O especialista conduziu a delicada intervenção cirúrgica na tradicional Clínica de la Pitié-Salpêtrière.
Quanto tempo durou toda a reabilitação física do jogador?
A reabilitação completa de Ronaldo durou cerca de 15 meses até que ele estivesse clinicamente apto a treinar com bola. A fase final de fortalecimento muscular ocorreu durante a preparação da Seleção para o Mundial de 2002.
Que tipos de exercícios ajudaram na recuperação muscular do atleta?
A fisioterapia comandada por Nilton Petrone utilizou hidroterapia constante, exercícios de propriocepção em caixas de areia, simulações de corrida na água e treinos de flexão com o uso de skates para evitar o impacto direto no tendão.


Fonte: Jovem Pan

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