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Política

Delação de Vorcaro revelou mesada de R$ 1 milhão mensal em dinheiro vivo para grupo ligado a Jaques

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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro detalhou em delação rejeitada pagamento mensal de R$ 1 milhão em espécie a aliados do senador Jaques Wagner na Bahia

Proposta de delação rejeitada pela PF e PGR detalhou esquema de propina envolvendo contrato do Banco Master com a PKL One

Pagamentos mensais de R$ 1 milhão em espécie teriam sido direcionados a um grupo ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo relato feito pelo ex-banqueiro  em sua proposta de delação — que acabou sendo rejeitada tanto pela Polícia Federal (PF) quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Engrenagem de propina por meio do Credcesta

O dinheiro, conforme o  de Vorcaro, fazia parte de um esquema de propina atrelado a um contrato firmado entre o Banco Master e a PKL One. Essa empresa é a detentora e estruturadora do Credcesta, um cartão de crédito consignado voltado para servidores públicos do estado da Bahia.

O volume total de repasses, segundo o ex-banqueiro, chegava a R$ 3 milhões por mês. Além da mesada em espécie, o grupo do senador — que já foi líder do governo Lula no  — teria recebido vantagens adicionais por meio de distribuição de lucros e  e de contratos fictícios elaborados por Vorcaro para pessoas indicadas por Wagner. Entre os beneficiários estaria a filha do parlamentar, por meio de uma empresa offshore.

A privatização do Credcesta ocorreu em 2018, período em que Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário do Desenvolvimento Econômico da Bahia. De acordo com os termos da proposta de delação, o senador teria atuado de forma oculta na operação, com o objetivo de direcionar a licitação para uma empresa pertencente a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Vorcaro, porém, admitiu à PF que não presenciou pessoalmente o acerto. As informações que embasaram seu relato teriam sido repassadas diretamente por Augusto Lima.

O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho deste ano, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero. A  indica que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas, de forma direta ou indireta, oriundas do Banco Master.

Augusto Lima também foi alvo da mesma operação. O empresário chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado e permaneceu detido por 11 dias. Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determinou sua soltura, mas ele segue sob monitoramento com tornozeleira eletrônica. Desde então, dois depoimentos do empresário foram desmarcados a pedido de sua defesa, que alega nunca ter tido acesso aos autos do processo.

Fonte: Tribuna Popular