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Delação no STJ pode atingir concessões de saneamento em quatro cidades de Rondônia, afirma ex-prefeito de Pimenta Bueno

Investigação · Corrupção em Concessões · Rondônia
Escândalo

Delegado Araújo comenta
corrupção nas privatizações
da AEGEA em Rondônia

Delações homologadas pelo STJ apontam propinas em concessões de água e esgoto que devem atingir políticos de vários municípios do estado

Cacoal · RO 19 fev. 2026 Tribuna Popular
Delegado Araújo, ex-Prefeito de Pimenta Bueno

Arismar Araújo, delegado e ex-prefeito de Pimenta Bueno

O delegado e ex-prefeito de Pimenta Bueno, Arismar Araújo, divulgou informações sobre uma delação premiada homologada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que apontaria pagamento de propina a prefeitos e agentes políticos para viabilizar concessões privadas de serviços de água e esgoto em diversas cidades brasileiras. Segundo ele, o caso pode atingir quatro municípios de Rondônia que firmaram contratos com a mesma concessionária no período investigado.

De acordo com Araújo, reportagem nacional revelou que diretores de uma empresa do setor de saneamento — conhecida na região por operar sob marcas locais de abastecimento — teriam confessado pagamentos ilícitos a pelo menos vinte prefeitos e seis governadores para garantir concessões públicas. O acordo também mencionaria autoridades de outros estados, incluindo políticos de relevância nacional e integrantes de tribunais de contas.

R$ 63M
Montante investigado Valor movimentado no esquema de propinas conforme as delações homologadas pelo STJ, em contratos firmados entre 2010 e 2018.

O ex-prefeito afirma que, embora a reportagem tenha detalhado nomes de autoridades de outras unidades da federação, no caso de Rondônia teriam sido citadas apenas quatro prefeituras, sem identificação direta dos gestores. Ele relaciona o período da delação, entre 2010 e 2018, com municípios que privatizaram o sistema de água e esgoto nesse intervalo: Ariquemes, Buritis, Rolim de Moura e Pimenta Bueno.

Arismar Araújo disse conhecer os contratos firmados com a concessionária e declarou que, em sua avaliação, a concessão do sistema teria ocorrido sem custo inicial ao poder público. Segundo ele, atualmente as cidades atendidas registram tarifas consideradas entre as mais altas do país.

Diante das informações, o ex-prefeito defende investigação aprofundada e transparência. Ele argumenta que contratos administrativos devem obedecer aos princípios constitucionais e que, caso seja comprovada irregularidade ou corrupção, podem ser considerados nulos. "Se houve vício de origem, a administração pública precisa rever essas concessões", afirmou.

Araújo também ressaltou que todos os citados têm direito à ampla defesa e pediu divulgação completa do conteúdo já tornado público pela Justiça. Para ele, prefeituras e órgãos de controle devem buscar acesso aos autos e esclarecer à população o que efetivamente ocorreu.

O caso ainda aguarda desdobramentos oficiais. Até o momento, não há confirmação pública de responsabilização individual de gestores municipais de Rondônia nas informações mencionadas, e eventuais investigações dependem de confirmação pelas autoridades competentes.


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