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Delegação do Talibã é recebida na Europa pela 1ª vez desde volta ao poder em 2021

A União Europeia recebeu nesta terça-feira (23) uma delegação de autoridades do Talibã em Bruxelas, após a Bélgica conceder vistos de um dia para a realização de conversas sobre o retorno de solicitantes de asilo afegãos que não têm direito legal de permanecer no bloco.

Segundo dados da UE, os países do bloco receberam cerca de 1 milhão de pedidos de asilo de afegãos entre 2013 e 2024, com aproximadamente metade deles aprovados. Cerca de 20 Estados-membros manifestaram no ano passado interesse em retomar deportações para o Afeganistão, apesar de não reconhecerem formalmente o governo do Talibã, que voltou ao poder em 2021.

A visita foi autorizada pela Bélgica após uma avaliação de segurança, com vistos válidos apenas para o país e restritos a um dia. A Comissão Europeia confirmou que mantém contatos com o Talibã há meses e afirmou que o encontro integra um processo de cooperação técnica voltado à gestão de retornos de migrantes irregulares.

Em maio, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o encontro com representantes do Talibã foi coordenado com a Suécia, após 20 Estados-membros solicitarem a adoção de medidas concretas para a deportação de afegãos sem autorização de residência legal ou considerados riscos à segurança. Segundo o porta-voz, as conversas se concentrariam na definição de mecanismos para repatriar pessoas que “representam uma ameaça à segurança” dentro da União Europeia.

A iniciativa, porém, gerou críticas de organizações de direitos humanos, que acusam a UE de contradizer sua posição oficial de condenação às políticas do Talibã, especialmente as restrições impostas a mulheres. Entidades também questionam a legalidade e a segurança de deportações diante da crise humanitária no Afeganistão, onde milhões enfrentam insegurança alimentar.

Em resposta, o chefe de migração da UE, Magnus Brunner, defendeu o diálogo com o regime afegão como uma necessidade prática para lidar com a situação de solicitantes de asilo e melhorar a gestão migratória no bloco. Segundo autoridades europeias, o foco das discussões é a criação de mecanismos de retorno para indivíduos considerados ameaças à segurança ou condenados por crimes graves.


Fonte: Jovem Pan

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