Deolane Bezerra defendeu que sua prisão é ilegal pelo fato de que sua detenção foi fundamentada no exercício de sua profissão. Deolane passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (21), após ser presa por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro com relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante a sessão, Deolane argumentou que foi presa no momento em que advogava, e que o dinheiro recebido (R$ 24 mil) é um pagamento pelos seus serviços prestados, depositado por um cliente, em 2020.
A defesa da advogada também argumentou que a prisão é ilegal e um excesso, pelo fato de Deolane ser mãe de uma criança de nove anos, e os supostos crimes terem acontecido há muito tempo e sem violência ou grave ameaça. A defesa defendeu que ela poderia então responder em prisão domiciliar.
Após a audiência, nesta sexta-feira (22), a influenciadora teve a prisão convertida de flagrante para preventiva e foi transferida do Complexo Prisional de Santana, na zona norte da capital paulista, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada na região oeste do estado de São Paulo.
Veja a audiência:
Operação Vérnix
Deolane foi um dos alvos da Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil. A ação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo os investigadores, Deolane teria atuado como “caixa” da facção e recebido valores provenientes do PCC por meio de uma empresa de transportes apontada como braço financeiro da organização criminosa.
Além de Deolane, os outros alvos da operação foram:
Marco Herbas Camacho, o Marcola, chefe do PCC;
Alejandro Camacho, irmão de Marcola;
Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do líder da facção;
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola;
Everton de Souza, suposto operador financeiro da organização criminosa.
Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Também foram bloqueados mais de R$ 327 milhões em bens e valores e sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.
De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, a investigação identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada, circulação de valores milionários sem origem comprovada e utilização de empresas para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro. A Operação Vérnix também possui desdobramentos internacionais. Três investigados que estariam na Itália, Espanha e Bolívia foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol para localização e eventual prisão.
Transportadora era usada em esquema de lavagem
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e possíveis ataques contra agentes públicos.
A partir das apurações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que identificaram uma empresa de transportes usada, segundo os investigadores, para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção. De acordo com o inquérito, a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com incompatibilidade milionária entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.
A Justiça reconheceu, em sentença anterior, que a empresa foi utilizada como instrumento de lavagem de capitais em benefício do PCC.
Como o PCC operava o esquema
As investigações apontam que o esquema era comandado de dentro do sistema penitenciário federal por Marcola e por seu irmão. Conversas encontradas em celulares apreendidos revelaram que familiares e pessoas próximas atuavam na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros obtidos pela facção.
Segundo a polícia, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho aparecem como beneficiários e intermediários das movimentações financeiras. Já Everton de Souza, chamado como “Player”, seria responsável por orientar o direcionamento dos repasses financeiros da organização criminosa.
Conforme o relatório policial, Deolane teria recebido valores provenientes da transportadora e utilizado sua estrutura financeira para inserir os recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
O inquérito concluiu que a organização mantinha um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com participação de integrantes da cúpula do PCC, familiares e operadores financeiros ligados à facção.
Fonte: Jovem Pan