A mesa diretora da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve embarcar para os Estados Unidos na semana que vem para uma série de visitas a agências de inteligência e policiais americanas. A Jovem Pan apurou que o embarque está previsto para os dias 23 ou 24.
A delegação deve passar aproximadamente uma semana nos Estados Unidos, com paradas em Austin, no Texas, e possivelmente em Los Angeles. O grupo também deve visitar o escritório do FBI em Washington. Participam o presidente da comissão, coronel Meira, a delegada Ione, o sargento Gonçalves, o deputado Sargento Portugal e o deputado Capitão Alden.
Em conversa com a Jovem Pan, o deputado Capitão Alden disse que o foco da missão é entender como o governo americano e suas agências planejam atuar em relação ao PCC e ao Comando Vermelho, classificados pelos Estados Unidos como organizações narcoterroristas. Para ele, a decisão americana não tem motivação política. “A ideia dos Estados Unidos em equiparar o PCC ao terrorismo não é para ajudar o Brasil, não é para ajudar Flávio Bolsonaro, nem para criar uma narrativa que ajude a desgastar o Lula”, afirmou.
O parlamentar argumenta que a presença das facções em solo americano explica o interesse de Washington no tema. “De 50 estados americanos, 16 já têm presença confirmada de membros do PCC e do Comando Vermelho”, disse. Segundo ele, o PCC hoje tem estrutura bilionária e atuação confirmada em 28 países.
O principal entrave para uma classificação equivalente no Brasil, segundo Alden, é a legislação penal vigente. O marco legal brasileiro exige motivação política, religiosa, racial ou xenófoba para o enquadramento como terrorismo. “O PCC não tem nada disso, mas tem modus operandi de todas aquelas associações equiparadas a terrorismo”, afirmou.
O deputado disse que prepara um documento comparativo entre as ações do PCC e as de organizações reconhecidas internacionalmente como terroristas, com casos numerados ponto a ponto, para apresentar em debate na comissão após o retorno da viagem.
Fonte: Jovem Pan