Em 1999, estava em Niterói, no Rio de Janeiro, na casa de um dos maiores craques da história do futebol brasileiro: Zizinho. Eu fazia meu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Era um documentário sobre a Copa de 1950, perdida pela seleção brasileira em pleno Maracanã. O ex-jogador, grande nome daquela seleção, explicava os motivos da derrota: “Nem o Brasil era um time imbatível e nem o Uruguai era uma equipe fraca”.
A seleção nacional, comandada por Flávio Costa, enfrentou os uruguaios no duelo decisivo do mundial, em 16 de julho de 1950, depois de duas goleadas impiedosas: 7 a 1, na Suécia, e 6 a 1, na Espanha. O clima de “já ganhou” tomou conta da torcida que apostava em um novo placar elástico, agora contra a Celeste Olímpica. Entretanto, o desfecho foi outro: derrota por 2 a 1.
Pouca gente sabe, mas Brasil e Uruguai se enfrentaram no dia 6 de maio daquele ano de 1950, no Pacaembu, em partida válida pela Taça Rio Branco. O confronto, vencido pelo adversário por 4 a 3, mostra que o rival era um velho conhecido da seleção nacional e a derrota na partida decisiva da Copa não foi surpresa nenhuma.
“Do fracasso da defesa, veio a debacle dos nossos”, destacou o Jornal dos Sports em manchete. A reportagem dizia o seguinte: “Brilhante vitória marcou o futebol uruguaio na tarde de hoje no gramado do Pacaembu. Enfrentando a representação nacional, em nova disputa da taça ‘Rio Branco’, a seleção da AUF assinalou merecido e justo triunfo pela contagem de 4×3. Foi um acontecimento de vulto para a ‘association’ oriental, não somente por servir de reabilitação do insucesso ante os paraguaios, como também pela circunstância de ter sido assinalado em terreno adversário sobre o campeão sul-americano.”
Abaixo, as fichas com as escalações das duas partidas para serem comparadas:
BRASIL 3×4 URUGUAI – 06.05.1950 – Pacaembu – 06.05.1950
Brasil: Barbosa; Nílton Santos e Mauro Ramos Oliveira; Ely, Rui e Noronha; Tesourinha, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
Técnico: Flávio Costa.
Uruguai: Máspoli; Matías González e Vilches; Juan Carlos Gonzalez e Obdulio Varela e Rodriguez Andrade (Gambetta); Britos (Ghiggia), Julio Perez, Miguez, Schiaffino e Villamide.
Técnico: Juan López.
Árbitro: Cecil Barrick (Inglaterra).
Gols: Zizinho (1), Julio Perez (22) , Schiaffino (27), Miguez (28) e Ademir (30) no primeiro tempo; Schiaffino (4) e Ademir (17) na etapa final.
URUGUAI 2 × 1 BRASIL – Maracanã – 16.07.1950
Brasil: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
Técnico: Flávio Costa.
Uruguai: Máspoli; Matías González e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Rodríguez Andrade; Ghiggia, Julio Pérez, Miguez, Schiaffino e Morán.
Árbitro: George Reader (Inglaterra).
Técnico: Juan López.
Gols: Friaça (2), Schiaffino (21) e Ghiggia (34) no segundo tempo.
Pagantes: 173.000.
Apesar da derrota brasileira no Pacaembu, a seleção ficou com o título da Copa Rio Branco ao vencer os dois jogos seguintes em São Januário, no Rio de Janeiro: 3×2 e 1×0. De qualquer forma, os placares mostram que o Uruguai não era uma seleção qualquer: tinha raça, brio e grandes atletas.
Abaixo, a íntegra do duelo válido pela Copa de 1950. A transmissão é da Rádio Nacional do Rio de Janeiro nas vozes de Jorge Curi e Antônio Cordeiro.
Fonte: Jovem Pan