O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino disse em sessão plenária nesta quinta-feira (14), que é contra os cursos “ensinando homens a serem homens”. A declaração foi feita durante votação para validar a lei de igualdade salarial que teve seu julgamento iniciado na quarta-feira (13).
Dino associou estes cursos ao movimento “red pill”, uma expressão originada do filme “Matrix” para se referir a discursos que apoiam a ideia de que homens estariam sendo “escravizados” pelas mulheres ao tomarem a “pílula da verade”.
O ministro completou dizendo que existem “desafios gigantescos” à mulher e por isso a importância desta pauta. “Os desafios se expressam na pandemia de estupros e feminicídios, os desafios se expressam na existência, na proliferação de discursos misóginos que estão não só na internet”, finalizou.
Curso de Juliano Cazarré
No dia 20 de abril o ator Juliano Cazarré divulgou em suas redes sociais o curso “O Farol e a Forja”, criado por ele para ajudar homens a entenderem “o que está acontecendo consigo e com os homens ao seu redor”, em uma crítica direta ao que o ator classifica como uma sociedade que desampara a figura masculina.
Contudo, o evento marcado para os dias 24,25 e 26 de julho, foi mal visto por seus colegas de profissão e gerou reações negativas nos comentários da publicação.
Segundo seu próprio post, Juliano sabia que seria criticado, mas não conseguiu ficar calado diante de uma sociedade que enfraquece os homens.
Em entrevista exibida pela Globonews com o ator no dia 12 de maio, Cazarré afirmou que “mais mulheres mataram homens do homens mataram mulheres”. A conversa foi sobre a educação e o papel dos homens na sociedade, dias após ele divulgar seu curso.
Início da votação pela lei de igualdade salarial
O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou na quarta-feira o julgamento sobre a constitucionalidade da lei que garantiu igualdade salarial entre homens e mulheres.
O plenário analisa três ações: uma ação declaratória de constitucionalidade (ADC), protocolada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para garantir a aplicação da lei, e duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI), impetradas pela Confederação Nacional de Indústria (CNI) e o Partido Novo contra a norma.
A sessão de quarta foi dedicada às sustentações das partes envolvidas nos processos. E os votos dos ministros proferidos na sessão desta quinta-feira.
Em julho de 2023, o presidente Lula (PT) sancionou a Lei 14.611 para obrigar as empresas a garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.
A norma alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que as empresas deverão pagar multa de dez vezes o valor do salário em caso de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade.
Além disso, a lei determina a divulgação semestral de relatórios de transparência salarial por empresas com mais de 100 empregados.
*Com informações da Agência Brasil
Fonte: Jovem Pan