Diplomatas foram taxativos ao classificar como “chantagem”, a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, anunciada nesta terça-feira (4).
Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
O governo americano afirmou ainda que a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata. Segundo o governo americano, ela poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido.
Agora no g1
O órgão disse ainda que o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático ao novo embaixador americano.
A indicação de Perez para ser embaixador dos EUA foi feita sem consulta formal prévia ao governo brasileiro, o que causou incômodo no Itamaraty.
🔎 Na formalidade diplomática, os governos costumam fazem uma consulta formal e confidencial sobre o nome que desejam indicar para comandar a embaixada – o chamado “agrément” – para só depois anunciarem o escolhido para ocupar o cargo de embaixador.
Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil é um parlamentar da Flórida. Ele é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos.
Seu nome foi enviado ao Senado norte-americano para aprovação. Perez passou por uma sabatina e teve o nome aprovado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado americano no dia 22 de julho. Ele ainda precisa do aval do plenário.
Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025.
Quem é Maria Luiza Viotti?
Maria Luiza foi embaixadora do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013, quando se tornou embaixadora do Brasil na Alemanha.
Em um período anterior na Missão do Brasil na ONU, atuou como vice-presidente da comissão preparatória da Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, entre outras ocupações.
Maria Luiza Ribeiro Viotti, em imagem de 2011
UN Photo/Eskinder Debebe
No Brasil, ocupou diversos cargos no Ministério de Relações Exteriores, como diretora-geral do Departamento de Organizações Internacionais, de Direitos Humanos e Assuntos Sociais e chefe da Divisão da América do Sul, onde foi responsável pelas relações com Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
Além de concluir o Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco, em 1976, a diplomata é graduada em economia pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal (AEUDF) e concluiu um curso de pós-graduação na Universidade de Brasília. Maria Luiza Ribeiro Viotti nasceu em 27 de março de 1954, em Belo Horizonte (MG).
Quem é Daniel Perez?
Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil é um parlamentar da Flórida. Ele é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores dos Estados Unidos.
Daniel Perez, apontado por Trump como embaixador dos EUA para o Brasil
American Legislative Exchange Council
Seu nome foi enviado ao Senado norte-americano para aprovação. Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025. Se aprovado, ele será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden.
Atualmente, a missão diplomática americana em Brasília é comandada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar. Na semana passada, os EUA anunciaram que ele será substituído por Natasha Franceschi a partir de julho.
Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida ainda criança, em 1993. Atualmente, ele faz parte do Partido Republicano, o mesmo de Trump, e demonstra apoio às políticas do presidente.
O indicado para a Embaixada dos EUA no Brasil está no comando da Câmara da Flórida desde 2024. No ano passado, ele chegou a ser apontado como possível candidato ao cargo de procurador-geral do estado, mas resolveu permanecer na presidência da Casa.
A indicação ocorre em meio a um embate político entre Perez e o governador da Flórida, Ron DeSantis.
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