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‘Economia dura’ não convence, e Lula entra em modo campanha com foco no poder de compra

“É a economia, estúpido!”. A frase do consultor político James Carville foi utilizada durante a campanha vitoriosa de Bill Clinton para a Casa Branca em 1992. Na época, o democrata utilizou amplamente a recessão econômica durante o governo do antecessor, George Bush, como um dos principais motes de suas propagandas. Mais de três décadas depois, a frase segue relevante na política ocidental, mas ganha novos contornos em tempos de guerra narrativa nas redes sociais.
No Brasil de 2026, o presidente Lula (PT), em pré-campanha para tentar a reeleição, apostou fortemente nos dados econômicos para convencer o eleitorado: o desemprego recorde e inflação controlada se somaram a uma negociação exitosa com os Estados Unidos para derrubar a maior parte do “tarifaço” imposto pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o Pé de Meia, programa de distribuição de renda para jovens que frequentam a escola e o Gás do Povo foram as três “marcas” escolhidas pelo governo para exaltar a economia brasileira.
A estratégia, no entanto, não empolgou o eleitorado. Desde a consolidação de Flávio Bolsonaro (PL) como o principal pré-candidato da oposição, Lula viu a vantagem nas pesquisas cair e a própria rejeição aumentar. Em conversas reservadas, os petistas admitem que o principal problema é de comunicação: apesar de elogios frequentes ao trabalho de Sidônio Palmeira, a esquerda reconhece que, no campo da internet, a direita “nada de braçada”.
Com o domínio das redes, a oposição venceu a guerra narrativa econômica: endividamento público, prejuízo das estatais e, principalmente, aumento de impostos foram os dados utilizados não só por aliados da família Bolsonaro, mas também por políticos de centro, muitos deles de partidos que compõem o governo Lula.
Ainda ajustando a forma, o PT resolveu uma mudança de rota no conteúdo: a avaliação é que os números por si só não vão ajudar a convencer o eleitorado. Por isso, a estratégia está em focar na “economia palpável” e no poder de compra. O novo Desenrola, que oferece descontos de até 90% no pagamento de dívidas, e o fim da “taxa das blusinhas”, criada pelo próprio governo Lula, são dois novos focos no governo. A ideia é que essas medidas terão impacto imediato no bolso do eleitor.
Outra pauta chave para o PT é o avanço da discussão do fim da escala 6×1. Extremamente popular, a ideia tem como principal objetivo conquistar o eleitorado mais jovem e desiludido, que rejeita Lula.  A resistência do setor produtivo, no entanto, ajuda a narrativa da oposição de que a suposta irresponsabilidade fiscal do governo Lula vai “quebrar” o Brasil. Apesar disso, a avaliação é que, faltando poucos meses para a eleição, a pauta ajuda a alavancar a candidatura do atual presidente.


Fonte: Jovem Pan

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