Os candidatos Keiko Fujimori (Fuerza Popular) e Roberto Sánchez (Juntos por el Perú) avançaram para o segundo turno da eleição presidencial do Peru. Os cerca de 27 milhões de eleitores peruanos retornam às urnas em 7 de junho para eleger o próximo mandatário.
Sánchez se consolidou no segundo lugar, superando o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga por 18.799 votos. Keiko Fujimori, do partido Força Popular, lidera os resultados do primeiro turno com 17,1% dos votos.
O pleito presidencial ficou marcado pelo recorde de candidatos em disputa. Foram 36 nomes, sendo que um presidenciável morreu em um acidente de carro em março. Além da disputa para o Palácio de Governo, os peruanos foram às urnas para eleger 60 senadores, 130 deputados e cinco representantes do Parlamento Andino.
Keiko Fujimori
Formada em administração de empresas pela Universidade Boston, Keiko Fujimori é a filha do ex-ditador peruano, de 1990 a 2000, Alberto Fujimori (1938–2024). Na chefia de Estado de 1990 a 2000, ele sofreu impeachment após fugir do país quando estourou um escândalo de corrupção. Também foi condenado por violação dos direitos humanos. O ex-mandatário foi preso em 2005 durante visita ao Chile e extraditado ao Peru em 2007.
Em 2006, Keiko Fujimori voltou ao Peru para disputar as eleições ao Congresso. Ela foi a deputada mais votada da história do Peru, com 600 mil votos.
Ficou no Legislativo até 2011, quando candidatou-se à presidência, mas perdeu no segundo turno. Ela ainda se lançou ao Palácio de Governo em 2016 e 2021, mas também foi derrotada em segundo turno.
Em outubro de 2018, Keiko Fujimori foi presa preventivamente no âmbito do escândalo da Odebrecht, que resultou na Operação Lava Jato no Brasil. Ela foi acusada de receber dinheiro da Odebrecht na campanha de 2011. Dias depois, foi solta por decisão do Tribunal Penal Nacional.
Keiko Fujimori voltou a ser presa no final do mês de outubro de 2018 pelo “alto risco de fuga”. Ela ainda foi libertada em 29 de novembro, mas foi detida novamente em janeiro de 2020 sob a mesma justificativa. A ordem de prisão foi revogada em abril do mesmo ano e, após pagamento de fiança, deixou a prisão.
Principal nome do fujimorismo, uma ideologia baseada na política neoliberal de Alberto Fujimori, Keiko Fujimori prometeu expulsar imigrantes do Peru e aproximar-se dos Estados Unidos.
Roberto Sánchez
Roberto Sánchez é deputado federal no atual mandato de 2021 a 2026. Formado em psicologia, disputou vaga no Congresso em 2006, mas não foi eleito. No mesmo ano, saiu candidato à prefeitura de Hural, no entanto, não ganhou.
Em 2020, foi nomeado secretário de Desenvolvimento Social de Hural. É presidente do partido Juntos por el Perú desde 2017.
Herdeiro do ex-presidente peruano Pedro Castillo, Sánchez foi nomeado ministro do Comércio Exterior e Turismo em julho de 2021. Foi o único a sobreviver às reformas ministeriais do ex-líder sindical.
Sánchez deixou o Executivo peruano em dezembro de 2022, quando Castillo foi destituído do cargo.
Durante a campanha presidencial, Sánchez prometeu conceder indulto a Castillo, que foi condenado a 11 anos por tentativa de golpe de Estado. De vertente esquerdista, o candidato também quer criar uma nova constituição para o país.
Atraso nas instalações eleitorais
Após o fechamento dos centros de votação, o então chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), Piero Corvetto Salinas, informou que 99,8% das seções eleitorais estavam instaladas. Na capital Lima, 211 zonas, distribuídas em 15 locais de votação, não operaram no dia do pleito.
Segundo Salinas, 63.300 eleitores não conseguiram votar no domingo de eleições. O chefe da ONPE ainda pediu desculpas aos peruanos que tiveram de esperar pela instalação eleitoral após o início da votação.
A confusão no Peru se deu, de acordo com Salinas, devido à falha da empresa contratada para entregar o material eleitoral nos locais de votação. Em razão do problema nas seções eleitorais, a Junta Nacional Eleitoral estendeu a votação nos locais que não abriram até o dia seguinte, 13 de abril.
Contestação de atas
Em 18 de abril, em entrevista à rádio RPP, a secretária-geral do Conselho Nacional Eleitoral (JNE, na sigla em espanhol), Yessica Clavijo, informou que o resultado do primeiro turno da eleição presidencial do Peru só seria conhecido em meados de maio. O atraso se deu em razão da revisão de atas contestadas. Segundo informações do órgão, foram recebidas 5.919 folhas para terem os votos recontados.
Representantes de partidos, inspetores do JNE e da ONPE podem contestar as atas de apuração. De acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais, os principais motivos alegados para a revisão das folhas foram informações incompletas, ilegibilidade, ausência de assinatura dos funcionários das seções eleitorais, além dos pedidos de anulação.
Instabilidade política no Peru
O país andino vive uma crise política. Desde 2000, só três presidentes concluíram o mandato. No mesmo período, cinco mandatários foram depostos e dois renunciaram.
O último líder a completar o período de cinco anos no poder foi Ollanta Humala. Ele encerrou o mandato presidencial em 2016.
Em 2018, Pedro Pablo Kuczynski renunciou. Martín Vizcarra assumiu o cargo, mas foi destituído pelo Congresso dois anos depois.
Ainda em 2020, Manuel Merino renunciou após cinco dias no comando do Palácio de Governo. Francisco Sagasti assumiu até a posse de Pedro Castillo, eleito em 2021. Em dezembro de 2022, o ex-líder sindical tentou dissolver o Congresso e foi deposto.
No lugar de Castillo, entrou a vice Dina Boluarte. Em outubro de 2025, ela sofreu impeachment.
O então líder do Congresso, José Jerí, assumiu o cargo de chefe de Estado. Em fevereiro de 2026, o Legislativo o destituiu.
O atual mandatário do Peru é José María Balcázar, que deve fazer a transferência do cargo ao próximo presidente.
Fonte: Jovem Pan