A seleção brasileira que vai disputar a Copa nos Estados Unidos, no México e no Canadá não é a única a ser ameaçada por contusões de jogadores. Em 1998, Romário foi cortado às vésperas do mundial da França por causa de uma lesão na panturrilha.
Drama mesmo, viveu o volante Emerson que seria o capitão do Brasil em 2002. A equipe nacional já estava na Ásia, pois a Copa seria organizada em conjunto por Japão e Coreia, quando o destino foi implacável com ele. Na época, uma pesquisa feita pelo Estadão indicava que 57,21% dos torcedores não acreditavam na conquista do penta. O mesmo jornal trouxe uma reportagem sobre Emerson que era um dos remanescentes de 1998. Taxado de excessivamente calmo, característica considerada inviável para um líder em campo, o jogador deixava claro: “(…) Durante o jogo eu costumo cobrar bastante meus companheiros, orientá-los tanto na marcação, no posicionamento, quanto no apoio ao ataque. (…).”
Para o desespero de Felipão, o atleta sofreu uma luxação no ombro direito durante um rachão no dia 2 de junho, véspera da estreia contra a Turquia. “O sargento perdeu o capitão”, citou a Folha de S.Paulo. De acordo com o jornal, “(…) não foi uma brincadeira à toa que levou o volante ao gol: Emerson era testado como uma alternativa para a posição, caso Scolari precisasse (…).” Cortado imediatamente, o treinador brasileiro chamou Ricardinho, do Corinthians, que herdou a camisa sete com apenas três jogos pela seleção no currículo.
No livro “Felipão, a alma do penta” (ZH publicações/2002), de Ruy Carlos Ostermann, o jornalista publica trechos de um diário escrito pelo treinador durante a Copa. Sobre o corte de Emerson, Felipão revelou: “Realizamos uma reunião com os jogadores no vestiário, pois o desânimo tomou conta do grupo. Mostramos a realidade do futebol e concluímos com a palavra de Ronaldo, que viveu uma situação parecida no mundial passado [de 1998]. Exames, ressonância, médico da FIFA e corte. Convocamos Ricardinho.”
Anos depois, o ex-volante Emerson declarou ao jornal Zero Hora que poderia ter ficado na seleção, pois haveria tempo dele se recuperar durante a Copa: “Eu era o capitão do Felipão, mas ele me tratou como um qualquer. Não me informou sobre o corte nem fez força para me manter na delegação. Nunca mais falei com ele depois daquilo (…).” A braçadeira de capitão foi passada para Cafu.
A ausência de Emerson contribuiu para aumentar a ansiedade pela estreia entre os jogadores. Dos 23 atletas, dezessete estavam na Copa pela primeira vez. A CBF decidiu não levar um psicólogo para a Ásia, medida considerada equivocada por Edílson que trabalhou com Regina Brandão nos tempos do Palmeiras. Já Rivaldo, remanescente de 1998, era taxativo: “Dá uma tensão até chegar o momento do jogo. Queremos que termine logo para sabermos o resultado, porque uma vitória nos dará tranquilidade para o próximo jogo.” Mesmo sem Emerson, a campanha da seleção na Ásia foi irrepreensível: vitórias em todos os sete jogos e, de quebra, Ronaldo Fenômeno foi o artilheiro do mundial com oito gols.
Fonte: Jovem Pan