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Política

Em virada inédita, Lula vence Flávio Bolsonaro e seguirá no Planalto

6 minutos de leitura
Com o resultado deste domingo (25), o petista garantiu mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto
Em virada inédita, Lula vence Flávio Bolsonaro e seguirá no Planalto
Por Jovem Pan

O presidente Lula (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com a apuração concluída, o petista garantiu mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.

O sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, o petista somava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.

A vitória é histórica: pela primeira vez desde a redemocratização, em 1989, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar a disputa e ser eleito presidente. Em todas as sete eleições presidenciais anteriores que foram para o segundo turno, o líder da primeira etapa confirmou a vitória na final.⁠

A disputa de 2026 foi a mais apertada da história recente. No primeiro turno, realizado no dia 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos — a menor já registrada entre os dois primeiros colocados desde a retomada das eleições diretas.

Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).

A campanha do segundo turno foi marcada pela polarização e pela alta rejeição dos dois candidatos.

Quem é Lula

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Sétimo dos oito filhos dos lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como Dona Lindu, mudou-se ainda criança para São Paulo com a mãe e os irmãos em busca de melhores condições de vida.

Em dezembro de 1952, aos sete anos, viajou com a família em um caminhão pau de arara. Depois de viver no Guarujá, no litoral paulista, mudou-se para a capital em 1956. Na infância e na adolescência, trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office boy. Aos 14 anos, ingressou na indústria e, aos 18, concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Aos 17, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

A trajetória profissional na indústria antecedeu sua atuação no movimento sindical, que o tornou uma das principais lideranças trabalhistas do país durante as greves de metalúrgicos no ABC paulista, no fim dos anos 1970. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda pela qual construiu sua carreira política e disputou a Presidência da República pela primeira vez em 1989.

Na vida pessoal, Lula se casou pela primeira vez, em 1969, com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu grávida em 1971. Em 1974, casou-se com Marisa Letícia, com quem teve três filhos: Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. O petista também adotou Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior, e é pai de Lurian, fruto de seu relacionamento com Miriam Cordeiro.

Marisa acompanhou Lula ao longo de sua trajetória sindical e política, inclusive durante os dois primeiros mandatos presidenciais. Ela morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).

Em maio de 2022, Lula se casou com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja, durante a campanha eleitoral daquele ano. Naquele pleito, o petista foi eleito para um terceiro mandato presidencial, após já ter governado o país entre 2003 e 2010.

‘Exército do Lula’

Para concretizar a virada inédita e conquistar o quarto mandato, uma das principais apostas da campanha de Lula foi na mobilização digital para ampliar o alcance de seus feitos e propostas. Comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o canal de WhatsApp “Exército do Lula” ultrapassou 10,6 milhões de usuários nos últimos dias da disputa. Em uma transmissão ao vivo com Janones, de sexta-feira (23) até sábado (24), o presidente afirmou que pretendia chegar a 11 milhões de participantes naquele dia e alcançar 13 milhões na sequência.

A iniciativa teve como objetivo aproximar Lula de seus apoiadores e ampliar a circulação de conteúdos favoráveis à campanha. A mobilização ocorreu em paralelo à disputa sobre o alcance das publicações políticas nas redes sociais, que acabou na Justiça Eleitoral.

Na reta final da campanha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensificou a fiscalização sobre conteúdos publicados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo influenciador Pablo Marçal. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que a Meta e o X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance e a distribuição de publicações dos dois.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve a campanha de Flávio Bolsonaro e apura possíveis irregularidades na divulgação de conteúdo eleitoral. A campanha de Lula alegou que publicações nas redes sociais poderiam favorecer o senador. As acusações ainda dependiam de apuração.

O ministro também determinou restrições à recomendação automática de publicações de Nikolas e Marçal a usuários que não seguissem seus perfis. A medida não determinou a exclusão das contas, mas estabeleceu limites à distribuição dos conteúdos nos termos da decisão judicial.

Nikolas reagiu nas redes sociais e pediu que seus seguidores compartilhassem suas publicações, em vez de apenas curti-las. O deputado também mencionou um ato de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.

Outro embate envolveu a quebra de sigilo dos dados bancários, fiscais e telefônicos de Lula e Flávio Bolsonaro. A campanha de Lula levou ao TSE um pedido relacionado à abertura dos sigilos, em meio à discussão sobre a vontade dos presidenciáveis de tornar públicas informações pessoais.

Na sexta-feira, o Ministério Público Eleitoral defendeu a extinção do processo sem análise do mérito. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, avaliou que o caso não justificava a atuação da Justiça Eleitoral.

A discussão ganhou força depois que a campanha de Lula apresentou um documento em que defendia a divulgação simultânea das informações dos dois candidatos.

O domingo da virada

O domingo de votação também foi marcado por uma disputa judicial sobre o acesso dos eleitores às urnas. A campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) após relatar problemas no transporte público e dificuldades de deslocamento em algumas localidades.

O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. A medida alterou os procedimentos previstos para o encerramento do pleito e mobilizou a Justiça Eleitoral nas horas finais da votação.

Após receber informações do Tribunal Superior Eleitoral, Zanin esclareceu que a extensão do prazo deveria valer para as seções que ainda não haviam encerrado a votação.

Fonte: Tribuna Popular