O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de sanções contra autoridades e entidades ligadas ao regime cubano. Em comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, Washington acusa Havana de manter uma rede destinada a promover atividades consideradas subversivas dentro dos Estados Unidos e de utilizar setores estratégicos da economia para sustentar o aparato repressivo do governo.
Entre os alvos estão três dirigentes do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, o ICAP, incluindo o presidente da organização, Fernando González Llort.
Segundo o Departamento de Estado, González Llort foi condenado nos Estados Unidos por espionagem e passou 15 anos em uma prisão americana por sua participação na chamada Rede Vespa, uma operação de inteligência cubana descoberta na Flórida no final dos anos 1990. O governo americano afirma que, depois de retornar a Cuba, ele continuou envolvido em atividades contrárias aos interesses dos Estados Unidos por meio do ICAP.
O instituto já havia sido alvo de sanções americanas por ser considerado uma agência ou instrumento do governo cubano.
O Departamento de Estado também identificou como propriedades vinculadas ao ICAP três instalações utilizadas para receber delegações e grupos internacionais em Cuba: o Campamento Internacional Julio Antonio Mella, a Casa Memorial Salvador Allende e a Casa de la Amistad. De acordo com Washington, esses locais devem ser tratados como propriedades sancionadas.
Além dos dirigentes do ICAP, nove entidades cubanas foram incluídas na nova rodada de sanções. Entre elas está o Ministério da Construção de Cuba. O governo americano afirma que essas organizações controlam setores importantes da economia e ajudam a financiar o aparato estatal cubano.
As medidas foram adotadas com base na Ordem Executiva 14404, assinada pelo presidente Donald Trump em 1º de maio deste ano. A ordem criou uma estrutura mais ampla para a aplicação de sanções relacionadas a Cuba e permite, entre outras medidas, o bloqueio de bens e interesses financeiros de pessoas e organizações designadas pelo governo americano. Também prevê restrições de entrada nos Estados Unidos e permite sanções contra instituições financeiras estrangeiras que facilitem determinadas transações envolvendo pessoas bloqueadas.
No comunicado desta quinta-feira, Rubio afirma ainda que Cuba teria usado as comemorações pelos 100 anos do nascimento de Fidel Castro para tentar fortalecer uma rede internacional de simpatizantes, levando uma nova delegação a Havana para estabelecer contatos com autoridades cubanas.
A acusação é apresentada pelo Departamento de Estado como parte de uma estratégia mais ampla do regime para influenciar e radicalizar pessoas nos Estados Unidos por meio de programas apresentados como intercâmbios educacionais ou culturais. O comunicado divulgado não apresenta, porém, detalhes individualizados sobre cidadãos americanos que teriam sido recrutados nem descreve operações específicas recentes realizadas dentro dos Estados Unidos.
A nova ação faz parte de uma sequência de medidas adotadas pela administração Trump contra Havana em 2026. Em junho, por exemplo, o Departamento de Estado já havia anunciado sanções contra entidades que, segundo Washington, geravam receitas para o governo cubano, incluindo organizações associadas ao conglomerado militar GAESA.
A Ordem Executiva 14404 não substituiu o embargo e as regras anteriores contra Cuba. Ela estabeleceu uma autoridade adicional de sanções, que funciona paralelamente ao regime já administrado pelo Departamento do Tesouro.
Ao justificar as novas designações, Marco Rubio afirmou que o governo Trump não vai tolerar esforços do regime cubano para financiar a repressão ou, nas palavras do Departamento de Estado, continuar uma campanha de atividades “subversivas antiamericanas”.
Fonte: Jovem Pan