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Executor de homicídio no MA diz que Daniel Brandão participou de ‘emboscada’ e que versão foi ‘ensaiada’ na polícia

Em depoimento à Polícia Federal, Gilbson Júnior — condenado a 13 anos de prisão pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira em 2022 — afirmou que o crime ocorreu após uma espécie de “emboscada” que contou com a participação direta de Daniel Brandão, conselheiro e presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA).
Júnior relatou ainda que sua versão inicial sobre o caso foi “ensaiada na mesa do delegado” da Polícia Civil para proteger a família do governador Carlos Brandão.
Trechos do depoimento de Júnior constam na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento cautelar de Daniel Brandão do cargo por 180 dias.
Dino determina afastamento de presidente do TCE do MA
A convocação e a ‘emboscada’
O executor foi ouvido pela Polícia Federal em fevereiro de 2026.
Segundo o relato, Daniel Brandão teria mantido contato telefônico direto para convocá-lo para uma reunião no Edifício Tech Office, em São Luís, que serviria para discutir ações do que a PF classifica como uma organização criminosa voltada ao desvio de verbas públicas.
Ao chegar no local, Júnior diz ter sido orientado por Daniel a entrar em um carro e ouviu do conselheiro: “Ó, é para fazer do jeito que o tio disse”.
Ao questionar o que estava acontecendo e se recusar a entrar no veículo, ele afirma que Daniel respondeu apenas que ele deveria “se resolver” e se retirou do local momentos antes dos disparos.
Júnior relatou que, ao perceber que seria morto pelo grupo, reagiu. “Aí eu viro, eu tiro uma pistola de dentro da bolsa e eu viro, atiro nele pela frente”, contou sobre o momento em que baleou João Bosco.
Daniel Brandão, presidente afastado do Tribunal de Contas do Maranhão
Divulgação/TCE-MA
Fraude no inquérito e ‘pagamentos pelo silêncio’
Ainda no depoimento, Júnior classificou o inquérito policial realizado no Maranhão como uma “fraude processual enorme”.
Segundo ele, a versão de que o tiro teria sido pelas costas foi inventada para incriminá-lo de forma mais grave e omitir o contexto da reunião. “Eles colocam que quando o Bosco já estava andando de costas, eu atirei nele. Eu atirei, todos os tiros foram pela frente”, afirmou.
O executor revelou também que, logo após fugir do local, recebeu ligações de Daniel Brandão. “O Daniel me liga: ‘cara, tu é doido e apaga tudo’. Disse: ‘Rapaz, porra, tu me levou, tu me chamou pros caras me matar, Daniel’. ‘Não, não, cara, pelo amor de Deus, some, some’”, diz trecho da transcrição.
As investigações apuram se o assassinato tem ligação com desavenças sobre o pagamento de propinas.
De acordo com Gilbson Júnior, o ex-secretário estadual Raimundo Cutrim teria atuado como interlocutor da Família Brandão, oferecendo ao seu pai “vantagens, dinheiro e casas” para que o nome de Daniel e de outros parentes do governador fossem retirados dos depoimentos.
O ministro Flávio Dino destacou em sua decisão que houve uma “deliberada decisão” da Polícia Civil do Maranhão em não incluir Daniel Brandão na investigação inicial, apesar de sua presença ter sido captada por câmeras de segurança


Fonte:

g1 > Política

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