Análise técnica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelou um cenário crítico na operação das Centrais de Análise de Benefícios (Ceabs) do órgão — área responsável por analisar e decidir sobre pedidos de benefícios, ou seja, com foco em reduzir as filas do INSS.
De acordo com uma nota técnica conjunta à qual a GloboNews teve acesso, que abrange o período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2026, as constantes indisponibilidades e instabilidades nos sistemas mantidos pela Dataprev causaram um impacto financeiro estimado em R$ 233,2 milhões.
➡️Esse valor bilionário representa o custo da remuneração de servidores que, embora estivessem à disposição da administração, ficaram impedidos de trabalhar devido a falhas tecnológicas.
O documento foi publicado originalmente em 17 de março e, segundo pessoas ligadas ao instituto, as falhas apontadas afetam diretamente a velocidade de redução da chamada fila do INSS.
Esse entrave com a Dataprev teria sido um dos fatores que pesaram na demissão do ex-presidente do órgão, Gilberto Waller. Ele deixou a função nessa segunda-feira (13), e foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira.
O relatório evidencia que o problema tecnológico é um dos principais vilões no andamento das filas do INSS. Durante os 15 meses analisados, aproximadamente 1,75 milhão de processos deixaram de ser analisados em decorrência direta das falhas sistêmicas.
A paralisação das ferramentas de trabalho comprometeu cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período.
Esse represamento contribui significativamente para o estoque de pedidos pendentes, que ao final de fevereiro de 2026, alcançou a marca de 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise.
Meses críticos e perda de produtividade
Os dados mostram que as instabilidades não foram uniformes, apresentando picos de extrema gravidade em que o sistema praticamente parou. Os meses mais afetados foram:
Fevereiro de 2026: 39,8% de impacto sobre a produção.
Julho de 2025: 38,9% de impacto.
Novembro de 2025: 28,6% de impacto.
Nesses períodos, a capacidade de resposta do INSS às demandas da sociedade foi drasticamente reduzida, afetando o tempo de espera dos cidadãos por benefícios previdenciários e assistenciais.
Responsabilização da Dataprev
Diante do diagnóstico, o INSS avalia o fortalecimento de medidas de gestão contratual para responsabilizar a Dataprev pelas perdas.
A nota técnica sugere o encaminhamento dos autos à Procuradoria Federal Especializada para apurar fundamentos jurídicos que permitam a cobrança de prejuízos causados pelas instabilidades.
Para a administração do Instituto, a regularidade dos sistemas é “condição crítica” para o cumprimento de suas atribuições e para garantir o acesso tempestivo dos brasileiros aos seus direitos.
Além da dimensão operacional e financeira, as falhas impactam a própria imagem institucional e a resolutividade do serviço prestado ao cidadão.
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