Em meio a lances polêmicos da Seleção Argentina na Copa, a Federação Argentina de Futebol (AFA) também se envolveu em uma polêmica envolvendo transações comerciais nos Estados Unidos entre a federação e a empresa TourProdEnter LLC, de acordo com o jornal argentino Lá Nacion.
De acordo com o jornal, investigadores do Departamento de Justiça e agentes do FBI estão colhendo depoimentos para investigar como a AFA, liderada por Claudio “Chiqui” Tapia, operava nos EUA, depois de canalizar centenas de milhões de dólares por meio de seu sistema financeiro, e se algumas dessas operações podem ser caracterizadas como crime financeiro na jurisdição dos EUA.
Agentes se reuniram com o empresário Guillermo Tofoni, que denunciou o suposto esquema, para analisar se operações ligadas à AFA podem ser configuradas como crimes de lavagem de dinheiro ou fraude por meio do sistema bancário estadunidense.
A investigação começou em uma abordagem da então ministra da Justiça da Argentina, Patricia Bullrich, que foi inicialmente arquivada, mas voltou a ter destaque e tomar forma em
O caso nasceu de uma abordagem da então ministra da Justiça da Argentina, Patricia Bullrich, em setembro de 2024, mas acabou sendo arquivado inicialmente. Dessa forma, a investigação começou a tomar forma em 2025, por meio dos procuradores-gerais Patrick Gushue e Christopher Ting, de Washington, e Michael Berger, da Flórida.
Investigação
Os investigadores buscam pessoas envolvidas diretamente com a gestão de Tapia e Pablo Toviggino à frente da AFA, e enquanto a cobrança dos contratos comerciais da federação era administrada pela TourProdEnter, do produtor teatral Javier Faroni.
Entre potenciais testemunhas, os agentes consideram chamar ex-funcionários do governo de Javier Milei, que podem ter tido acesso a informações relevantes enquanto faziam intervenções, supervisão e controle das operações nos últimos anos, segundo o La Nación.
Durante a investigação, Tapia, presidente da AFA, está acompanhando a Copa do Mundo dos Estados Unidos, mesmo sendo investigado por desvio de contribuições da previdência e impostos. Ele foi autorizado a viajar por meio de uma fiança para a Justiça da Argentina.
Os procuradores-gerais envolvidos na investigação voltaram seus olhares à empresa quando ela assumiu a função de agente de cobrança dos contratos de patrocinadores e empresas ligadas à Federação Argentina. O foco da apuração está no rastreio de movimentações financeiras feitas por Faroni e sua esposa, Erica Gillette, por meio do sistema financeiro norte-americano.
Movimentações
De acordo com a apuração do jornal, a TourProdEnter realizava a arrecadação financeira de grandes contratos, movimentando cifras milionárias relacionadas a AFA, como US$ 60 milhões com a Adidas e US$ 40 milhões da Warner, durante quatro anos.
No contrato assinado entre a Federação e a empresa, válido até dezembro de 2026, a companhia de Faroni e Gillette recebeu 30% de toda a receita internacional da AFA, além de cobrar uma comissão equivalente a 10% das despesas relacionadas à logística dessas operações.
Empresas ligadas ao casal teriam movimentado centenas de milhões de dólares em contas ligadas a cinco instituições financeiras americanas: Citibank, Synovus, Bank of America, JP Morgan e PNC Bank.
Por meio dessas contas, a TourProdEnter LLC movimentou pelo menos US$ 260 milhões em receitas da AFA, mas apenas uma parte desses fundos pode ser diretamente associada a despesas operacionais da organização. Outros US$ 57 milhões foram distribuídos entre empresas e beneficiários cuja justificativa econômica não aparece na documentação analisada pelo jornal.
Fonte: Jovem Pan