Uefa, a confederação responsável pelo futebol europeu, e Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, Central e Caribe, se posicionaram nesta semana contra a proposta da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições.
Além disso, a federação europeia anunciou que pretende boicotar as competições organizadas pela entidade de Gianni Infantino. A ideia da entidade máxima do futebol é vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações, mas a governança do futebol permaneceria sob o controle da entidade.
Para o plano ser aprovado, a Fifa oferece US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) para as 211 filiadas nacionais – e um montante opcional de US$ 20 milhões (R$ 102,3 milhões) já seria dado para casa Associação Membro para projetos especiais do chamado Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).
No planejamento divulgado pela Fifa, cada federação ainda receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030 (o valor atual é de U$ 8 milhões). Nos seguintes, ganhariam US$ 22 milhões (2031/2034) e US$ 24 milhões (2035/2038).
A Fifa informa que, se criada, o FFE captaria US$ 4,2 bilhões (o equivalente a R$ 21,5 bilhões) ainda este ano para financiar o Fifa Fast-Forward (FFFP). A entidade fala em uma “seleção criteriosa de investidores” a longo prazo, que teriam as participações minoritárias, sem ter domínio sobre a FFE. Os lucros líquidos do braço comercial seriam investidos no desenvolvimento do futebol no planeta.
Recusa da Uefa
A Uefa destacou na quinta-feira (30) que nenhuma de suas seleções será participante dos torneios enquanto esse projeto estiver ainda em discussão.
“Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, diz a Uefa em comunicado.
Seguindo o calendário, os próximos campeonatos em que seleções europeias estariam seriam os playoffs das Eliminatórias da Copa Feminina, no mês de outubro. Com o prazo estabelecido por Infantino, até este próximo compromisso a proposta já terá uma aprovação ou não por parte das confederações.
Anterior a este torneio, haverá o Mundial feminino da categoria sub-20 na Polônia. Com início em 5 de setembro, este poderá ser a primeira efetivação do boicote, caso se mantenha.
Ainda em sua nota, a Uefa afirma que o futebol não é algo que possa ser comercializado, em especial a Copa do Mundo, que pertence à este meio.
“Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão prontas a aceitar, mas pelo que se recusam a negociar. Esse é um destes momentos. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para vender. A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda”, finaliza a entidade em seu posicionamento.
Concacaf do lado dos europeus
A Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) se manifestou pela primeira vez contra a proposta do plano.. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (30) a entidade da América do Norte e Central reafirmou a posição de que o “futebol se mantenha nas mãos do futebol”.
Não é a primeira associação a ir contra a federação máxima do futebol. Não se sabe se a Concacaf tomará a mesma atitude da Uefa sobre o boicote.
“A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar”, disse a entidade em comunicado oficial. “Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo”.
“A história mostrou à Fifa e à família do futebol o que acontece quando os guardiões do esporte perdem de vista esses valores”, seguiu a confederação, revelando em seguida que convocou uma reunião com seus 41 associados, membros do conselho, representantes no conselho da Fifa e a presidência.
“Os membros expressaram profunda preocupação com a falta de um devido processo em relação à proposta, com o prazo artificialmente curto imposto e com a ausência de qualquer análise ou aprovação por parte dos órgãos de governança competentes”, explicou a Concacaf, sobre a posição contrária.
De acordo com a Concacaf, a necessidade de investimentos de capital privado para financiar o programa, bem como outros novos logo após a Copa do Mundo, que foi divulgada como a mais lucrativa da história, é motivo de preocupação.
Assim, além de rejeitar, a associação norte-americana informou que encarregará seus membros no Conselho da Fifa a dialogar com a federação para determinar como as reservas financeiras poderiam ser utilizadas para aumentar o financiamento do programa, bem como de instruir o presidente, Gianni Infantino, a garantir que os processos de governança sejam seguidos.
“A Concacaf reafirma que o futuro do futebol – e o seu maior patrimônio – deve permanecer nas mãos da nossa família do futebol”, conclui o comunicado.
Futebol feminino pode ser a primeira vítima
Com o anúncio do boicote da Uefa à competições da Fifa, reafirmando seu posicionamento contra o plano da entidade de criar a “Fifa Forward Enterprise (FFE)”, empresa que iria gerenciar os direitos de suas competições, algumas competições do calendário do futebol feminino seriam impactadas.
Em setembro, a Polônia recebe a Copa do Mundo Feminina Sub-20. Oito anos depois da França sediar, o torneio volta à Europa e terá sede em quatro cidades: Lodz, Bielsko-Biala, Katowice e Sosnowiec. Ao todo, 24 seleções entram em disputa pela taça do Mundial.
A Uefa possui seis de suas seleções classificadas para o torneio, sendo a associação com mais vagas. Espanha, França, Inglaterra, Itália, a anfitriã Polônia, e Portugal, são as representantes do continente na Mundial da categoria.
Já no profissional, o impacto poderá ocorrer nas eliminatórias da Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser realizada no Brasil. Com o prazo de Infantino, até este próximo compromisso das seleções europeias, marcado para ocorrer em outubro com os playoffs do torneio, já existirá alguma definição acerca da continuidade ou não do plano da Fifa.
Novamente na categoria de base, o impacto pode ser no Mundial Sub-17, que será disputado entre os dias 17 de outubro e 7 de novembro em Marrocos. Dentre as 24 seleções que competirão pelo título, cinco deles são europeus: Alemanha, Espanha, França, Noruega e Polônia.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: Jovem Pan