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Filme Bom Futuro resgata memória do garimpo e protagonismo feminino esquecido pela história


As primeiras imagens do longa-metragem Bom Futuro, dirigido por Fabiano Barros e
produzido pela Conexão Norte, sob a coordenação geral de João Leão e Emili
Lamarão, começam a ser divulgadas e apresentam ao público uma prévia da obra,
que promete aproximar ainda mais os espectadores do cinema produzido em
Rondônia.


Gravado entre junho e julho de 2025, o filme teve 40 dias de filmagens em
diferentes territórios do estado, incluindo Porto Velho, Candeias do Jamari e a
região de Bom Futuro, município de Ariquemes, além de comunidades rurais e
ramais históricos ligados à exploração de cassiterita na década de 1990.

Baseado na história real da garimpagem de cassiterita no garimpo de Bom Futuro, o
projeto constrói uma narrativa ficcional que mistura drama, thriller social, realismo
mágico, ficção histórica e elementos de western amazônico.

Quatro mulheres no centro da narrativa
A trama acompanha as trajetórias de quatro mulheres — Binha (Layra Angélica),
Zefa Sibita (Agrael de Jesus), Chica (Kaline Leigue) e Maria Surrupei (Joria
Lima) — que vivem no garimpo nos anos 1990 e, em meio à violência estrutural, à
exclusão social e à devastação ambiental, constroem estratégias de sobrevivência e
resistência.

Chica é mãe e evangélica, tentando sustentar a casa enquanto enfrenta o
alcoolismo do marido.
Maria Surrupei, rezadeira, carrega o trauma de violências sofridas durante
operações policiais.
Zefa Sibita, já idosa, mantém um bar como forma de subsistência em um ambiente
dominado por tensões.
Binha, mulher trans, enfrenta o preconceito cotidiano enquanto luta por dignidade.
Segundo a proposta estética do filme, a obra busca “visibilizar o invisível”, trazendo
para o centro da narrativa personagens historicamente apagadas dos registros
oficiais da ocupação amazônica.

Cinema, memória e território
As primeiras imagens revelam paisagens marcadas pelo barro e pela poeira, ruínas
e uma floresta ferida, contrastadas com momentos de espiritualidade, afeto e
sororidade feminina, criando um retrato sensível das relações humanas em meio a
um território atravessado por memória, resistência e transformação. A direção
aposta em uma fotografia naturalista assinada por Neto Cavalcante, Fabiano Barros e Rafael Rogante, com forte presença do ambiente amazônico devastado como
personagem dramático, evidenciando o impacto social da mineração predatória.

Além do resgate histórico, o filme propõe uma reflexão sobre as consequências
humanas do ciclo mineral e a violência vivida por mulheres em Rondônia. O elenco
conta ainda com José Valdomiro, Osmar Scarpatti, Gilmar Franco e Tino Alves,
além de um amplo grupo de atores do próprio estado, fortalecendo a cadeia
produtiva local.

A obra também reforça a importância de investimentos contínuos no audiovisual
regional, ao registrar práticas culturais, memórias sociais e modos de vida
amazônicos, ao mesmo tempo em que impulsiona uma indústria criativa que cresce
ano a ano no Brasil.

Produção mobilizou mais de 400 trabalhadores
Realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital nº 11, o longa
contou com financiamento público articulado pela SEJUCEL, com apoio do Governo
de Rondônia e do Governo Federal do Brasil.
A produção gerou mais de 400 postos de trabalho diretos e indiretos, envolvendo
técnicos, artistas, moradores das comunidades e profissionais da cadeia audiovisual
local, consolidando-se como uma das maiores realizações cinematográficas
recentes do estado.

Estreia prevista para o fim do ano
Atualmente em fase de pós-produção, Bom Futuro tem estreia prevista para o final
de 2026, com expectativa de circulação em festivais nacionais e internacionais
antes do lançamento comercial.

O longa se apresenta não apenas como obra cinematográfica, mas como um gesto
de reconstrução de memória coletiva, narrando a Amazônia a partir das vozes de
quem permaneceu depois que o ouro e a cassiterita deixaram de brilhar em
Rondônia.

Fonte: Fabiano Tertuliano de Barros

 

 

 

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