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Flávio se inscreve para depoimento em audiência nos EUA sobre tarifas de 25% ao Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro de 2026, inscreveu-se no último dia do prazo (22 de junho) para falar presencialmente na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação da Seção 301. Ele se posicionará explicitamente contra a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

A audiência está marcada para 6 de julho de 2026 em Washington. Flávio pediu os cinco minutos padrão para testemunhas e confirmou comparecimento presencial. Ele atuará em sua capacidade pessoal e oficial como senador federal e membro da oposição.

Seção 301

A USTR concluiu, em 1º de junho de 2026, uma investigação iniciada em julho de 2025 (por iniciativa associada à família Bolsonaro, segundo o governo Lula). O relatório identifica práticas brasileiras consideradas “desleais” ou discriminatórias, entre elas:

• Digital trade e serviços de pagamento eletrônico (defesa do Pix como sistema instantâneo).• Tarifas preferenciais injustas.• Aplicação de leis anticorrupção.• Proteção de propriedade intelectual.• Acesso ao mercado de etanol.• Desmatamento ilegal.

Como ação proposta, o USTR recomenda tarifas de 25% sobre a maioria dos bens brasileiros, com algumas exceções (ex.: certos produtos agrícolas ou energéticos). A decisão final cabe ao presidente Donald Trump. O período de comentários públicos vai até 1º de julho, com a audiência em 6 de julho.

Nos documentos enviados ao USTR (Dockets USTR-2026-0397 para inscrição e USTR-2026-0331 para comentários escritos), Flávio Bolsonaro argumenta que:

• As tarifas não atingem o objetivo da Seção 301 (“eliminação da prática”), mas prejudicam exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores dos EUA e a oposição brasileira.• Propõe suspensão da medida e abertura imediata de mecanismo bilateral de negociação com agenda e calendário definidos, preservando a alavancagem americana.• Vai responder ponto a ponto aos seis achados da investigação, reconhecendo problemas, contestando outros e apontando caminhos de remediação que um eventual governo reformista brasileiro poderia oferecer.• Defende a restauração de uma parceria histórica entre “soberanos iguais” nos moldes recentemente endossados pelos EUA na região.9

Ele já havia enviado carta ao secretário de Estado Marco Rubio e se reunido pessoalmente com Trump, Vance e Rubio durante viagem a Washington em maio de 2026, discutindo temas como crime organizado, minerais críticos e relações bilaterais.

Ausência do governo Lula

O governo brasileiro não inscreveu nenhum representante para a audiência. A estratégia do Itamaraty é concentrar esforços em canais diplomáticos diretos entre governos, deixando o espaço da consulta pública para o setor privado e outros interessados.

O Planalto manifestou “indignação” com a conclusão preliminar da USTR e atribui o andamento da investigação a uma “ingerência” e “sabotagem” promovida pela família Bolsonaro, especialmente após a viagem de Flávio.

O governo Lula vem negociando com os EUA desde antes do anúncio e argumenta que não há justificativa comercial para as tarifas, citando superávit brasileiro no comércio bilateral em algumas análises.

O tema ganhou forte contorno eleitoral no Brasil, a menos de cinco meses da eleição presidencial. Lula acusou Flávio de “traidor da pátria” e “idiota” por supostamente incentivar a medida americana. Já a oposição vê na ação de Flávio uma defesa dos interesses brasileiros e dos produtores contra uma punição coletiva.

Flávio Bolsonaro tem reforçado que pediu pessoalmente a Trump que não aplicasse as tarifas e que a solução passa por negociação séria, não por retaliação unilateral.

O que acontece agora?

• Até 1º de julho: prazo para comentários escritos.• 6 de julho: audiência pública.• Após isso, o USTR e a Casa Branca avaliam as contribuições antes de decisão final sobre as tarifas.

O caso ilustra a tensão entre os governos Lula e Trump, o uso da Seção 301 como instrumento de pressão comercial e o embate político interno brasileiro projetado para o cenário internacional. A matéria será atualizada conforme novos desdobramentos na audiência e na decisão americana.


Fonte: Jovem Pan

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