PF investiga entrada no Brasil de malas sem inspeção em voo com políticos
Imagens do circuito interno de segurança do Aeroporto Catarina, em São Roque (SP), mostram o momento em que um auditor fiscal permite que o piloto de um jatinho particular passe com 7 volumes sem fiscalização. As imagens foram analisadas pela Polícia Federal, que concluiu não ser possível identificar o conteúdo das bagagens nem a quem elas pertencem. O material consta do inquérito obtido pelo g1. O voo PP-OIG havia partido da ilha caribenha de São Martinho e tinha entre seus passageiros o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira.
PF investiga entrada de bagagens sem fiscalização em voo com Motta e Ciro Nogueira
Foto 1 — 21h31
Segundo a PF, até por volta das 21h35 o procedimento no local seguiu o padrão: todas as bagagens dos cerca de 20 passageiros passaram pelo raio-x. Às 21h31, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior aparece no circuito interno levando dois volumes, que são submetidos normalmente à fiscalização.
Piloto passa normalmente com 2 bagagens pelo raio-x às 21h31. Esses mesmos volumes aparecem depois no carrinho com os 7 itens não fiscalizados
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Foto 2 — 21h40
De acordo com a investigação, cerca de nove minutos depois o piloto retorna ao ponto de fiscalização com mais cinco volumes, totalizando sete itens. As imagens mostram que ele utiliza um carrinho e contorna o pórtico do detector de metais pelo lado de fora. Ainda segundo a PF, nenhum desses cinco volumes adicionais é submetido ao raio-x.
Piloto retorna com carrinho contendo 7 volumes e contorna o detector de metais pelo lado de fora, sem submeter nenhum item ao raio-x
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Foto principal – 21h40 – os 7 volumes
A PF identificou, nas imagens, sete volumes distintos: uma sacola plástica, uma caixa de papel, uma sacola de papel, um edredom, uma mala de viagem, outra caixa e uma mochila. Segundo o relatório, dois desses itens — a mala e a mochila — já haviam passado pelo raio-x anteriormente. A corporação afirma que não foi possível determinar o conteúdo das bagagens nem a quem pertenciam.
Imagem mostra os 7 volumes numerados pela própria Polícia Federal que passaram sem fiscalização. A PF não conseguiu determinar o conteúdo das bagagens nem a quem elas pertencem
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Foto 3 — 21h40
Ainda segundo a PF, após a passagem dos volumes, a operadora do raio-x questiona o auditor fiscal responsável. As imagens indicam que ele responde com gestos que, de acordo com o relatório, expressam “banalidade e irrelevância”.
Operadora questiona o auditor após passagem dos volumes. Segundo a PF, ele gesticulou expressando “banalidade e irrelevância”
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Fechamento
A PF verificou que o procedimento irregular foi exclusivo do voo PP-OIG. Nos demais voos fiscalizados pelo auditor na mesma noite, todas as bagagens passaram normalmente pelo raio-x. Ele também usou o celular com frequência apenas durante este voo.
Os outros lados
Procurado pelo g1, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos) afirmou que “ao desembarcar no aeroporto, cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que vai aguardar a manifestação da PGR.
O g1 procurou pelo senador Ciro Nogueira Lima Filho (PP), mas ele não se manifestou sobre o caso.
O deputado Doutor Luizinho disse que não vai se manifestar sobre o caso. Os demais parlamentares foram procurados, mas não se manifestaram. O g1 não localizou os demais citados.
O piloto José Jorge de Oliveira Júnior foi procurado, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. A defesa do auditor fiscal Marco Antonio Canella não foi localizada.
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