Lula defende soberania após decisão dos EUA sobre PCC e CV: ‘Não aceitamos ser tratados como moleques’
Ministros e auxiliares do governo brasileiro passaram a sexta-feira (29) em reuniões em Brasília para fazer um exame detalhado das possíveis implicações do anúncio dos Estados Unidos de classificar facções criminosas como organizações terroristas estrangeiras.
Nessa quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA, chefiado por Marco Rubio, anunciou que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas.
A medida foi anunciada um dia depois do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encontrar Rubio nos EUA. Na terça-feira (26), Flávio se encontrou com o presidente Donald Trump na Casa Branca.
Como Lula soube da decisão dos EUA?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi informado da decisão dos EUA por auxiliares e logo depois falou com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
Lula estava no Planalto em uma agenda com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), no momento em que o anúncio foi publicado na página do Departamento de Estado americano.
Logo após o anúncio, o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, defendeu que segurança é tema “nacional” e que “pretexto para intervenção é inaceitável”.
A primeira medida tomada por Lula foi pedir que os ministérios fizessem um levantamento sobre o impacto que a medida traria para as cooperações internacionais em combate ao crime organizado e também os impactos financeiros.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acionou representantes no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar na avaliação do impacto da medida.
Ministros fazem reunião para levantar informações
Nesta sexta-feira, Lula cumpre agenda em Sergipe. No início da manhã, por determinação de Lula, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião para o horário do almoço com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Chico Lucas, e o número dois da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, estava em viagem para o Paraguai e antecipou a volta para Brasília
Ministros apresentaram durante a reunião o impacto da decisão da Secretaria de Estado dos EUA na segurança pública, no mercado financeiro até no turismo.
Segundo integrantes do governo, se tratou de uma reunião de trabalho, em que os ministros olharam todas as ações do país em parceria com os EUA e levantaram números.
Governo e Lula se manifestam sobre decisão dos EUA
Após a reunião, o Planalto divulgou uma nota em que reforça as ações do governo no combate ao crime organizado.
O texto afirma que é “deplorável” que “mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, como já fizeram com o tarifaço.
Minutos depois da nota, Lula comentou o tema pela primeira vez em discurso durante um evento em Sergipe.
O petista afirmou que o governo brasileiro pretende combater internamente o crime organizado e que não vai aceitar intervenções internacionais.
Lula defendeu a soberania do país. Ele disse: “Não aceitamos ser tratados como moleques”, ou como uma “republiqueta”.
O presidente também criticou o senador Flávio Bolsonaro por ter pedido ao governo norte-americano para classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Lula acusou o parlamentar de “trair a pátria” ao pedir uma intervenção estrangeira em assuntos de segurança pública nacional.
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