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Governo israelense reconhece genocídio armênio, termo rejeitado pela Turquia

O governo israelense aprovou neste domingo (28) o reconhecimento do genocídio armênio, anunciou o Ministério das Relações Exteriores, em um contexto de fortes tensões com a Turquia, que rejeita o uso desse termo para se referir aos massacres ocorridos no início do século XX.

“Decisão histórica: o governo israelense aprovou por unanimidade a proposta do ministro Gideon Saar de reconhecer o genocídio armênio”, afirma o comunicado da chancelaria.

A decisão ocorre em um período de fortes tensões entre Turquia e Israel e ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento.

Os sucessivos governos israelenses haviam evitado até agora reconhecer oficialmente o genocídio armênio, principalmente para preservar suas relações com a Turquia, que em outros tempos foi um dos parceiros estratégicos mais próximos do país na região.

“Nunca é tarde demais para fazer a coisa certa (…) é ao mesmo tempo um dever moral e um dever histórico”, afirmou Saar, citado no comunicado.

A Turquia, que acusa regularmente Israel de perpetrar um genocídio na Faixa de Gaza, rejeita o uso desse termo para qualificar os massacres de armênios sob o Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial.

O governo turco respondeu neste domingo classificando o reconhecimento como uma decisão “política” para “encobrir seus próprios crimes”.

“O governo israelense, que perseguiu sistematicamente o povo palestino diante dos olhos do mundo inteiro e está sendo julgado na Corte Internacional de Justiça por acusações de genocídio contra a população de Gaza, busca encobrir seus próprios crimes por meio da decisão política que adotou em relação aos acontecimentos de 1915”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Turquia em um comunicado.

Esse genocídio armênio — uma série de massacres na qual se estima que morreram entre 600 mil e 1,5 milhão de pessoas — é reconhecido pelos governos ou parlamentos de numerosos países. O primeiro deles foi o Uruguai, em 1965.

Também é reconhecido por grandes potências como Estados Unidos, França e Alemanha, além de outros países da América Latina, como Argentina e Chile.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tornou-se um dos críticos mais contundentes da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023, e comparou em diversas ocasiões os dirigentes israelenses a líderes nazistas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, respondeu habitualmente aos ataques de Erdogan, qualificando-o como um “ditador antissemita que comete um genocídio contra os curdos”.

As relações entre Israel e Armênia haviam se deteriorado quando, em junho de 2024, a chancelaria armênia anunciou o reconhecimento do Estado palestino.

Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores de Israel reagiu duramente, anunciando que “convocaria o embaixador da Armênia para uma severa reprimenda”, sem fornecer mais detalhes.


Fonte: Jovem Pan

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