O principal negociador e presidente do parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitiu um ultimato aos Estados Unidos, nesta terça-feira (12), para que aceitem os 14 pontos propostos por Teerã ou enfrentem o “fracasso”.
A mensagem veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, chamar a mais recente contraproposta do Irã de “totalmente inaceitável” e afirmar que o cessar-fogo em vigor desde 8 de abril estava “sobrevivendo por aparelhos”. Em resposta, o negociador iraniano afirmou que Washington precisa aceitar os “direitos” de Teerã se quiser encerrar o conflito. As negociações de paz estão travadas após uma rodada inicial falhar em abril.
Ghalibaf afirmou em rede social que “não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, conforme estabelecido na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será completamente inconclusiva; nada além de um fracasso após o outro”, ainda “quanto mais eles demorarem, mais os contribuintes americanos pagarão.”
A proposta
O Irã tem se recusado a recuar, com autoridades militares alertando que estão preparados para responder a qualquer novo ataque dos EUA. O país abalou os mercados globais e garantiu sua alavancagem ao interromper o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, enquanto os americanos impuseram seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu à proposta americana exigindo:
Fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano;
Interrupção do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos;
Liberação de ativos iranianos congelados sob sanções de longa data.
Porém, não foram fornecidos detalhes sobre o que o Irã ofereceria em troca e detalhes da proposta mais recente dos EUA não foram divulgados, embora ela fale sobre encerrar combates e estabelecer uma estrutura para negociações sobre o programa nuclear do Irã.
O urânio
Nesta terça-feira (12), Ebrahim Rezaei, porta-voz da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, afirmou em uma publicação no X que os legisladores considerariam a possibilidade de enriquecer urânio em níveis adequados para produção de armas, caso o conflito fosse retomado. “Uma das opções do Irã no caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento a 90%. Vamos examinar isso no parlamento”.
Teerã possui um estoque significativo de urânio enriquecido a 60% de pureza, sendo necessários cerca de 90% para a fabricação de armas nucleares. O estoque de urânio enriquecido do país continua sendo um ponto crucial de discórdia nas negociações com os Estados Unidos, que insistem que o material deve ser transferido para fora do Irã.
Até o momento, Teerã se recusa a enviar seu estoque de urânio enriquecido para o exterior e insiste em seu direito ao uso pacífico da energia nuclear, embora tenha afirmado que o nível de enriquecimento permanece “negociável”.
*com informações da AFP
Fonte: Jovem Pan