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Jerônimo Santana símbolo da resistência e Confúcio Moura fiel ao MDB desde sempre

A história dos 60 anos do Movimento Democrático Brasileiro não ficou no passado. Ela continua viva em personagens que ajudaram a construir o partido lá atrás — e que, de um jeito ou de outro, seguem presentes até hoje.
Um dos nomes mais marcantes é o do advogado goiano Jerônimo Garcia de Santana. Deputado federal por três mandatos seguidos, ele foi linha de frente na oposição à ditadura militar e, em 1986, entrou para a história como o primeiro governador eleito pelo voto popular em Rondônia, recém-transformado em estado.Antes dele, a transição ainda dava seus passos. O professor paulista Ângelo Angelim comandou o chamado “governo-tampão” entre 1985 e 1987, encerrando um longo período em que os governadores eram simplesmente nomeados em gabinetes distantes — e a população só ficava sabendo pelo rádio. Já o coronel Jorge Teixeira de Oliveira teve a peculiaridade de ser o último governador do território e o primeiro do novo estado.

Na foto, Tomás Correia, Ronaldo Aragão, Jerônimo Santana e Ulysses Guimarães

Enquanto isso, uma outra história começava — silenciosa, mas duradoura.O senador Confúcio Moura chegou a Ariquemes em 1976 para trabalhar como médico e, desde então, nunca mais deixou o MDB. Em tempos de “janela partidária” e trocas constantes de sigla, ele é uma exceção rara: cinco décadas no mesmo partido.Com uma trajetória que passa por prefeitura, Câmara dos Deputados, governo do estado e Senado, Confúcio resume sua posição de forma direta: defende o MDB como um partido de equilíbrio, avesso aos extremos e comprometido com a democracia — mesmo que isso, vez ou outra, renda críticas em tempos de polarização.
O articulador que falava com todos
Quando Jerônimo Garcia de Santana chegou a Porto Velho, em 1970, o Brasil vivia um dos períodos mais duros da ditadura. Era tempo de repressão, censura e desaparecimentos. Ainda assim, ele construiu uma base política ampla, reunindo desde comerciantes até militares, passando por lideranças populares de todas as frentes.
Sua casa, um casarão no centro da cidade, virou ponto de encontro. Por ali circulavam seringueiros, garimpeiros, professores, servidores e intelectuais. Mais do que um político, Jerônimo atuava como articulador — alguém que ouvia, organizava e levava as demandas locais direto para Brasília.
E levava mesmo. Na Câmara dos Deputados, ecoava semanalmente discursos e reivindicações vindas de vereadores de Porto Velho e do interior, numa época em que a cidade ainda exercia, na prática, o papel de Assembleia Legislativa.
Terra, conflito e enfrentamento
Se havia um tema que mobilizava Jerônimo, era a questão fundiária. Entre 1976 e 1979, ele se destacou na defesa de posseiros e povos indígenas, denunciando a grilagem de terras e os abusos no processo de ocupação da Amazônia.

Como relator da CPI da Terra, em 1977, expôs irregularidades profundas na política agrária. Apontou concentração de terras, especulação imobiliária e um sistema que favorecia grandes grupos enquanto deixava pequenos agricultores à margem.
Enquanto técnicos sobrevoavam áreas de helicóptero para beneficiar grandes proprietários, famílias inteiras enfrentavam burocracia para conseguir um título de terra. Em regiões como Nova Vida, Cajazeiras e Urupá, os conflitos se acumulavam — com expulsões, violência e mortes.
Jerônimo insistia: muitas dessas áreas sequer precisavam ser desapropriadas, porque nunca tinham sido legalmente tituladas. Ainda assim, a situação se arrastava.
Informação que atravessava a floresta
Sem internet, sem telefone fácil, a comunicação era no braço — e na persistência. Toda semana, Jerônimo enviava pelos Correios cópias de discursos, denúncias e recortes de jornal para aliados e eleitores.As cartas viajavam por estradas precárias e até por trilhas abertas na mata, muitas vezes levadas por agentes de saúde que conheciam a região como ninguém. Era assim que a informação chegava a comunidades isoladas, atingidas por doenças como a malária e praticamente abandonadas pelo poder público.
Um retrato de injustiça — e resistência
Naquele Rondônia dos anos 1970, milhares de migrantes foram empurrados para abrir a floresta na marra, sem estrutura e sem garantia de permanência. A regra era clara: derrubar metade da área para produzir. Sustentabilidade não entrava na conta.

Para Jerônimo, o problema não era a chegada de novos produtores, mas a forma como tudo acontecia. Havia gente séria, dizia ele, mas também muitos grupos interessados apenas em lucrar com a terra — à custa de posseiros, seringueiros e pioneiros.
Ao denunciar essas distorções, ele ajudou a expor um dos lados mais duros da ocupação amazônica — e consolidou seu nome como um dos principais símbolos de resistência política no período.
Sessenta anos depois, o MDB ainda carrega essas histórias. E nomes como Jerônimo Santana e Confúcio Moura mostram que, em meio a mudanças e contradições, há trajetórias que atravessam o tempo — algumas marcadas pela luta, outras pela permanência.

 

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Fonte: Extraderondonia.com.br

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